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30 de abril de 2011

Reflexões de parto

Eu queria fazer parto normal. Porque é melhor para o bebê, a recuperação é mais rápida, é o que a OMS recomenda, tenho medo de cirurgia, outros “n” motivos e porque, afinal, é normal. Mas acho que nunca tive certeza que conseguiria, porque meu limite para suportar a dor é baixo. Sou bem fresca. Por isso, sempre achei que o mais lógico para mim era fazer um parto normal, mas com analgesia.
Mas não encontrei ninguém que topasse fazer isso. A Ju, que é anestesista e participou de uma discussão sobre analgesia de parto em um congresso, disse que em outros lugares do mundo parto sem nenhuma técnica para diminuir a dor já é coisa do passado. De um passado bem distante. Chega a ser ridículo para a medicina brasileira nosso atraso em relação a proporcionar uma experiência de parto menos dolorosa para as mães. O meu obstetra, por exemplo, questionou “você está querendo parir sem sentir dor??”. Siiiim, oras! Por que não? Não sou uma mulher da idade da pedra, os médicos de parto é que são!
O negócio é que com a peridural, anestesia usada durante o trabalho de parto, pode haver um pouco mais de dificuldade para expulsar o bebê. Nada que impeça o nascimento, mas que vai demandar mais experiência e técnica do médico. Aí entra a história do “Tostines é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é frequinho?”. Os médicos não fazem muitos partos normais, que dirá com anestesia, e aí acabam preferindo fazer cesáreas, já que estão mais acostumados.
Quando engravidei, estava com a mesma médica há mais de dez anos. Ela era ótima, me passava segurança, era atenciosa com as dúvidas, um amor. Mas quando perguntei sobre parto, se mostrou fortemente favorável às cesarianas agendadas, embora garantisse que faria o parto que eu achasse melhor. Acreditei que ela faria o normal se eu insistisse e continuei com ela. Até que, lá pelo sexto mês de gravidez, tive uma forte gripe, com inflamação de garganta e fiquei podre, poooodre! E ela não me atendia. E eu tendo que tomar um monte de remédio, injeção e xarope sem ter a quem consultar se aquilo era seguro mesmo!!! Alguém confia em médico do pronto-socorro??
Era janeiro. Ela estava de férias. Não comentou comigo na consulta anterior. Descobri pela secretária, depois de ligar inúmeras vezes no celular e no consultório. É claro que eu sei que médico é gente e merece tirar férias, mas ela teria que ter comentado comigo e me indicado um médico da confiança dela para eu ligar em caso de emergência. Senti que a confiança se quebrou e fui atrás de outro médico.
Cheguei a receber indicação de uma médica que fazia parto normal, que era a favor da analgesia, mas naquela altura era inviável. Cada consulta era 250 reais e o parto custava 4 mil durante o horário comercial e 6 mil no fim de semana e de noite. Com tantos gastos que a gente tem montando quarto e enxoval, era impossível juntar tanta grana faltando três meses para Téo nascer. Segui a indicação de um médico conhecido do obstetra da família que fez os partos da minha mãe, mas que hoje está aposentado dos partos.
Doutor Tartaruga me pareceu seguro e experiente. Ele não era de muito conversa, esclarecia minhas dúvidas rapidamente e pronto. Nada de ficar falando e falando, como minha médica anterior fazia. Decidi parar de procurar médico quando ele me disse que partia do princípio de que todo parto era vaginal e me garantiu que preferia fazer um parto 4h da manhã a correr o risco de tirar um bebê antes do tempo fazendo cesárea agendada. Isso era fundamental para mim. Não queria marcar o parto de jeito nenhum.
De fato, Doutor Tartaruga esperou que eu entrasse em trabalho de parto. Mas de forma alguma respeitou meu desejo de fazer o parto normal. Hoje, olhando para trás, percebo, inclusive, que ele forçou a cesárea. Quando eu disse que estava com dor e perguntei se era possível fazer algo, ele disse que ia me dar remédios para induzir o trabalho de parto, e eu sabia que isso faria a dor aumentar muito. Eu já estava com quatro centímetros de dilatação e tinha chegado nisso em pouquíssimas horas, mas ele disse que o trabalho ia durar pelo menos, NO MÍNIMO, mais oito horas! E ainda me assustou dizendo que o fato da bolsa ter rompido aumentava o risco de infecção no Téo! Depois descobri que o jeito como a minha bolsa rompeu, liberando o líquido aos poucos, até facilita a saída do bebê!
Bom, agora não adianta chorar o leite derramado. O importante é que Téo está aqui. Lindo e saudável! Mas achei horrível fazer cesárea. Doeu muito o pós-operatório. Meu limite para dor é baixo mesmo! Nos primeiros dois dias eu só conseguia pensar “Téo vai ser filho único, filho único!”. Depois da primeira semana melhorou, eu já conseguia andar com mais altivez, e até sentar e levantar sozinha (apoiando nos móveis, claro).
E para quem ainda não teve filho ou está grávida, eu digo que não precisa se assustar. Só estou contando que a minha cesárea doeu para desmistificar essa história de que é um tipo de parto indolor. Mas muitas mães não sentem dor nem na cesariana nem no parto normal. Além disso, depois desses primeiros dias, você olha para a carinha daquela pessoa que saiu de dentro de você e esquece tudo. Dor? Que dor? Pode mandar mais uns filhos aí que eu aguento fácil!
Tem como pensar em dor olhando para um anjinho desses?

28 de abril de 2011

O Dia D

Dia 11 de junho de 2010, sexta-feira
Manhã – Acordo com a notícia de que nasceu o priminho do Téo, Arthur, filho da Flávia e do Pedro. A gente combina de ir visitá-lo no sábado. Yuri diz que temos uma festa à fantasia para ir à noite. É aniversário de um amigo dele. Assisto ao jogo de abertura da Copa. Termino de ler a monografia de uma aluna da pós que estava orientando.

Tarde – Vou com minha mãe cortar o cabelo. Ela sugere que eu pinte também. Mas, cansada, digo para deixar para o dia seguinte. Vou para a casa dos meus pais e durmo quase a tarde toda. Lá pelas cinco e meia, acordo. Meus pais pedem para que eu fique para o jantar. Digo que não porque preciso me arrumar para a festa. Pego o carro e dirijo até em casa. Penso em ligar para Yuri dizendo que estou com preguiça de me arrumar para ir à festa. Mas acho melhor ir, afinal os dias de liberdade para sair estão acabando. Em dez dias, Téo estará conosco.
20h00 Yuri chega e me ajuda a preparar minha fantasia. Em clima de Copa, ele vai de torcedor do Brasil e eu de Jabulani, a bola da Copa. Visto uma blusa branca e a gente cola os desenhos da bola na minha barriga.

21h30 Chegamos na festa, no Porcão. Tem banda, está bem animado. Mas não consigo ficar em pé. Não tem onde sentar, as poucas mesas estão ocupadas. O garçom consegue uma mesinha extra em consideração ao tamanho da minha barriga. Conversamos com todo mundo. Aproveito para matar a fome e a gula comendo zilhões de pasteizinhos. Na abstinência de álcool, encho a cara de guaraná. Afinal, é uma das últimas festas que irei sem me preocupar!
23h00 A festa fica cada vez mais animada, a pista está bombando. Mas eu só consigo mesmo ficar sentada. Comendo pastelzinho e tomando guaraná. Sinto que a bexiga está cheia, mas vou deixar para ir ao banheiro antes de sair porque é perto da porta.
24h00 Cansada, chamo Yuri para irmos embora. A gente se levanta, nos despedimos dos amigos. De repente, a pressão na bexiga aumenta muito e sinto um líquido quente escorrer pela perna. “Ops, amor, precisamos correr! Estou fazendo xixi nas calças”. Yuri não entende direito, mas me segue. No meio do caminho, ele resolve me apresentar para alguém!!! Pela minha cara, a pessoa deve ter entendido que euzinha aqui estava desesperada, não me segurou por muito tempo.
Depois de ir ao banheiro, fomos em direção ao carro. No meio do caminho, comentei com Yuri: “olha, acho que minha bolsa se rompeu”. Ele não acreditou: “O médico explicou que é normal as mulheres se confundirem no fim da gravidez, porque a bexiga fica muito pressionada e o xixi vaza”. Tudo bem, vamos para casa.
12 de junho de 2010, sábado
1h00 Depois de tomar banho, chamo Yuri e digo: “continua vazando um líquido de mim e é rosa!”. “Ok, vamos ligar para o médico”. Doutor Tartaruga pediu para a gente ir até a maternidade para fazer um exame com o GO de plantão. A gente liga para a família inteira. Minha sogra passa lá em casa na saída de uma festa para ver se a gente precisa de ajuda.
2h00 Minha mãe, meu pai, minha irmã, meu cunhado e meu irmão chegam ao hospital junto com a gente. Faço a ficha.
3h00 A médica me examina. Sim, minha bolsa está rompida. Mas não estourou de uma vez, está vazando aos poucos. Tenho um centímetro de dilatação e nenhuma contração. Ligo para o Doutor Tartaruga, que pede que eu vá para casa e volte para o hospital às 7h.
3h30 Tento dormir um pouco.
4h30 Acordo Yuri: estou começando a sentir dor. O intervalo entre as contrações é de dez minutos. Ele massageia minhas costas durante a contração. É uma dor forte que começa nas costas, como se a coluna fosse rasgar e termina na frente, como cólica.
5h00 A dor piora. Massagear e caminhar não adianta mais. Entro no chuveiro para ver se a água quente alivia um pouco.
5h30 Nem a água quente ajuda mais. As contrações acontecem de cinco em cinco minutos. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!! Dói! Peço para ir para o hospital.
6h00 Doutor Tartaruga chega. Estou jogada numa cadeira esperando. Enquanto ele e Yuri fazem a papelada, eis que surge, finalmente, uma alma caridosa que me leva para a enfermaria. Pouco depois, Doutor Tartaruga me examina. Estou com quatro centímetros de dilatação e contrações com intervalos menores que cinco minutos. Tudo indica que estou meio caminho andado para o parto normal, como queria. Mas as dores estão beirando o insuportável. Dói muito. Em vez de me tranqüilizar ou oferecer uma analgesia, Doutor Tartaruga fica pensando no churrascão de sábado que ele vai perder e me faz a proposta: “Quer fazer uma cesárea? Em uma hora seu bebê estará com você”.
6h30 Fico na dúvida, mas não resisto. É muita dor! “Parto normal não tem nada de normal! Vamos para essa sala de cirurgia acabar com isso logo!” Visto a camisolinha. Na sala de cirurgia, estão Yuri e Ju, minha amiga médica que tem passe livre em salas de cirurgia.
7h11 Téo nasce. Doutor Tartaruga e o pediatra desalmado do plantão levam meu filho embora sem me mostrar. Yuri vai junto. Ju volta e me diz que Téo está bem, que estão limpando ele. Na sala de recuperação, a enfermeira o leva pra mim. Estou sem óculos. Seis graus de hipermetropia e três de astigmatismo. Mas consigo ver. Olho para ele, ele me olha de volta. Um olhinho mais aberto que o outro. Põe a mãozinha na frente e gira, como em todas as ecografias 3D que tentei fazer para ver o rostinho dele. Mas agora ele está ali bem pertinho. Tem um cheirinho delicioso. Indescritível. Amor à primeira vista. Amor eterno.

Téomaki

PS: No próximo post, vou contar minhas reflexões sobre tudo que aconteceu. Aqui está apenas o relato dos fatos, como os vivenciei no dia mais importante da minha vida.

26 de abril de 2011

A dura tarefa de conciliar maternidade com profissão

Quando Téo era menor eu tentava estudar enquanto ele dormia ou estava distraído com algum brinquedo. Era um olho no computador, outro no bebê, que ainda não se locomovia por iniciativa própria. Desde que ele fez nove meses, passou a ser essencial ter uma babá para que eu pudesse estudar, já que meus olhos não podiam mais se afastar dois segundos dele sem protestos ou uma tentativa de se jogar da cama...
Uma vez o Yuri ficou rindo: eu estava com o computador no colo e Téo sentado do meu lado, com um brinquedo. Era só eu colocar o olho na tela que ele resmungava. Aí eu olhava para ele e ficava tudo bem, até que eu me virasse para o computador de novo. Tsc tsc... E essa era minha rotina, dividida entre a pesquisa e o Téo. Confesso que o bebê ganhou de lavada dos estudos, porque a maior parte do tempo era dele.
Com a babá senti uma sensação que não experimentava há muito tempo: poder sentar para ler um artigo e ir até o fim. Começar a escrever alguma coisa e terminar. Foi ótimo! Mas vieram as consequências: agora, Téo gosta de outras pessoas além de mim! Se eu tento pegá-lo no colo quando ele está com a babá, ele ri e a abraça. Faz a mesma coisa com o pai. Yuri acha que estou exagerando e sendo dramática. Mas é difícil perceber que não sou mais a única “pessoa preferida” dele.
Antes, eu passava o dia com ele, dava os banhos, o almoço, o lanche da tarde, a janta, brincava com ele à tarde, colocava para dormir. Eu recebia todos os sorrisos, ouvia todas as gargalhadas, ficava com todos os abraços. No fim do dia, quando ele fechava o olho, eu caía na cama exausta, com as unhas por fazer e olheiras profundas, mas com o coração muito feliz. Só que quando olhava o “rendimento” da minha pesquisa, ficava arrasada.
Agora, posso estudar e participar das atividades que quiser, mas passo o dia remoendo o fato de o Téo gostar da babá e de preferir o colo do pai, que fica com ele de manhã. Fico pensando se ele vai me culpar no futuro por não ter cuidado dele o tempo todo, se vai me perdoar por ter meus próprios interesses. Tá, isso tudo é uma bobagem enorme, que não deveria nem ser dita depois de tanta luta das mulheres para se libertarem do papel exclusivo de “mães”. Mas eu sinto isso! Esse é o problema.
Percebo que nós mulheres estamos condenadas a um sofrimento insolúvel: o drama da divisão, graças ao nosso papel de mães e, atualmente, à cobrança de sucesso profissional. Minha mãe escolheu se dedicar só aos filhos até que estivéssemos grandinhos. Resultado: se ressente dos prejuízos que a impediram de ter uma vida profissional satisfatória. Também conheço histórias de mulheres que choram porque não vão chegar em casa a tempo de verem os filhos acordados. E elas lamentam serem mães ausentes.
Eu posso me considerar uma privilegiada! Minha atividade de doutoranda me permite ficar em casa. Mesmo assim sinto que não me dedico à pesquisa tanto quanto uma mulher solteira e sem filhos, e também não sou uma mãe 100% , como as que podem ficar em casa só acompanhando a criação deles. Ó, Deus! Estaremos fadadas à mediocridade? Ou condenadas a abrir mão de alguma coisa?
Espero que a resposta seja não. Ainda estou aprendendo a lidar com tantas novidades e isso gera uma angústia, que imagino que não seja só minha. Acho que, com o tempo, vamos aprender a conciliar melhor tantos papéis, necessidades, cobranças... Que as nossas filhas tenham isso mais bem resolvido, para além do discurso feminista e do passado machista que deixa marcas no inconsciente.
Enquanto isso, me contento com o que eu tenho: Téo não dorme com a babá! Não aceita que ela o coloque para dormir. Nem cochilos ele tira com ela. Eu tenho que confortá-lo em meus braços, cantar para ele, deitá-lo no berço, dar para ele o travesseirinho, fazer um cafuné e deixá-lo no escurinho ainda ouvindo minha voz cantando, enquanto fecho a porta. Quando ele está com sono, vem para o meu colo esteja com quem estiver... J

Bebê 1 X 0 Hemagioma

Nessa nossa última ida a São Paulo, tivemos uma excelente notícia. A Dra. Heloísa disse que Téo está tão bem que podemos suspender o remédio que ele tomava duas vezes por dia para controlar o hemangioma. A resposta dele ao tratamento com o propanolol foi muito boa: o normal é parar com o remédio quando a criança completa um ano. Ele está com dez meses.
Agora, temos que acompanhar para ver se o hemangioma volta a crescer. Ainda existe essa chance. Mas se voltar, basta retomar a medicação. A doutora disse que nunca mais a situação de Téo será alarmante como foi. Mesmo que não cresça, o acompanhamento é importante, porque a tendência daquelas células voltarem a se multiplicar loucamente está lá, no DNA do hemangioma...
Vamos voltar a São Paulo daqui a quatro meses. Se estiver tudo bem, podemos começar a avaliar a possibilidade de fazer o tratamento com o laser específico para esses casos, que destrói só as manchas vermelhas, sem danificar a pele. Só lá tem esse laser. É importante alertar quem tem filhos com hemangiomas que os outros tipos de laser, os que tem aqui em Brasília por exemplo, não servem para esses casos.
Aliás, é impressionante a falta de informação dos médicos daqui de Brasília sobre hemangiomas. Teve um dermatologista, famoso por aqui, que queria injetar corticóide com uma seringa na boca do Téo!!! Dra. Heloísa disse que isso teria provocado a morte de todo o tecido da região, o do hemangioma e a parte saudável, provocando uma enorme cicatriz no bebê! Aff, só de pensar tremo toda...
Para não falar só dos médicos, a falta de informação nos pais também causa “estragos”. Muitos veem o bebê melhorar e suspendem o propanolol por conta própria, prejudicando a recuperação da criança. Outros preferem seguir o conselho ERRADO, mas muito mais prático, de esperar para ver. E ficam vendo o hemangioma crescer, crescer, na expectativa de que um dia “puff”, desapareça sozinho sem deixar marcas.
No hospital, na quarta-feira passada (20/04), Téo conheceu Ana Clara. À primeira vista ela poderia estar lá só acompanhando alguém. Quando a mãe puxou conversa comigo é que descobri que ela também teve um sério hemangioma. Agora, com quase dois anos, tem só uma marquinha na boca, que dá pra ver quando a gente chega perto. A mãe, cujo nome eu nem sei, virou minha “melhor amiga”, naquele sentimento de compaixão que une quem passa pelo mesmo perrengue. Antes de entrar no consultório, disse: “Quem sabe eles não viram namorados no futuro?”...

25 de abril de 2011

Viajando com bebês

Se bebês pudessem ter cartão de milhagem, Téo já poderia fazer resgate de passagem. Sei de crianças que viajam mais, tipo o João, da Maria Clara, que mora em Jacarta desde os três meses. Mas, para os padrões convencionais, Téo até viaja bastante. A primeira vez foi de avião, com um mês, para São Paulo. Fomos e voltamos no mesmo dia para a consulta do hemangioma.


São Paulo, com cinco meses
  Depois, com quase cinco meses, ele foi de novo. Ida e volta no mesmo dia. Curtiu o balanço do avião e se comportou super bem. Nas férias de janeiro, nos animamos a alçar voos mais altos: fomos para Natal. Ele estava com sete meses e ficamos cinco dias. Com oito meses, viajamos de carro para Araxá, 600 quilômetros para ir e outros 600 para voltar. E, agora nesse feriado, Téo encarou um vôo até São Paulo para ver a Dra. Heloisa, seguimos para o Rio poucas horas depois e voltamos para Brasília no sábado à noite. 
Não posso dizer que ele dê trabalho nos meios de transporte: tanto nas viagens de avião quanto na de carro, dorme a maior parte do tempo. Mas já percebemos uma mudança de comportamento nessa última ida a SP/Rio. Agora, ele fica mais tempo acordado, observa mais, resmunga um pouco por ter que ficar no colo. No caso do Téo, que é calminho demais, nada que tenha comprometido o conforto dos OUTROS passageiros! Hehe...



O que acho mais trabalhoso é a fase de preparativos. Planejar as compras pré-viagem, o que levar, fazer a mala, conferir se não tem nada ficando para trás. No caso de bebês, esquecer aquele travesseirinho que ele está acostumado pode ser “fatal” para o sossego dos pais. E dá-lhe listas e mais listas com roupinhas de calor, de frio, pijamas, sapatos, meias, roupa de banho, fraldas, fraldas de piscina, protetor solar, creme de assadura, termômetro, analgésico e por aí vai até o item 578 da lista.

Em relação à primeira viagem, percebi que as dificuldades vão mudando. Antes, era preciso me preocupar com a esterilização de chupetas e em levar tudo que ele fosse usar, de lençol a sabão de coco para lavar algo numa emergência. Meu melhor amigo era o rolo de saquinhos plásticos, aqueles de alimentos! Ali eu colocava o que já estava esterilizado, o sabonete, fraldinhas limpas, as trocas de roupa. Isso era especialmente importante na ida à praia, porque a areia entrava na sacola dele e sujava tudo que não estivesse devidamente protegido.
Em Natal, com sete meses
  
Nessa última viagem, a maior dificuldade foi a alimentação. E a maior facilidade também! Ele agora come comida normal, de self service. É mais fácil que sair carregando toneladas de potinhos Nestle, que depois de um ou dois dias a criança vê e quer sair correndo. Você pega um arroz, um feijãozinho, um bife pequeno, legumes cozidos e pronto. Mas isso é bem mais complicado que amamentar. E tem a questão logística: se eu vou em um restaurante especializado em feijoada, por exemplo, tenho antes que passar em outro para Téo comer.

De mais relevante, eu poderia ainda citar duas outras mudanças. Antes, dava mais trabalho fazer a mala. Agora, já posso usar qualquer lençol, a colher do restaurante, e uma lavadinha na chupeta resolve. Mas era mais fácil lidar com um bebezinho que ficava no carrinho dormindo feliz e contente que com um garotinho que quer andar, mexer nas coisas, estranha as pessoas.
De qualquer forma, acho que vale o “esforço” de viajar. Afinal, não podemos esperar a maioridade dos filhos para retomar os passeios. Mas acredito que é melhor dispensar alguns tipos de programas para garantir o conforto de pais e filhos. Passar um dia na praia é um deles. Acho que Nordeste, com aquele calor de 200 ºC é muito desconfortável para o bebê. Fica aquele grude eterno de filtro solar com areia. Achei muito mais negócio ir para o Rio e dar um pulinho na praia, por algumas horas. Sem falar que o calor carioca de outono é muito mais ameno, tem aquele ventinho bom.

Também “passei” as saídas noturnas. Melhor ter um bebê alegre e bem disposto a acompanhar os pais durante o dia, que sair à noite com o menino “capotando” e chorando manhoso. Acho que viajar por si só já tira o bebê da rotina. Então, se eu consigo fazê-lo dormir no horário habitual já é meio caminho andado para uma criança bem-humorada no dia seguinte.

É claro que isso é uma opinião pessoal, está cheio de gente que encara praia, muito sol, curtição noturna com bebê e tudo. Mas eu prefiro não ter mais trabalho nas férias que tenho em casa. Se for para “ralar” muito fora de casa, prefiro ficar no conforto do lar...

Semana Santa, com dez meses











18 de abril de 2011

Como me tornei deselegante

 
Quando ainda me restava um pingo de dignidade fashion

Não sou uma grande entendida de moda, mas sempre tentei seguir o bom senso na hora de me vestir. Nunca fui escrava fashion, mas gosto de saber as tendências. Na falta de um orçamento adequado para o guarda-roupa dos meus sonhos, invisto em peças mais básicas, com uma coisa ou outra diferente para dar uma ousadia ao visual. Com a maternidade, tudo isso foi por água abaixo.
Durante a gravidez, fui adepta da regra “menos é mais”. Até o quarto mês, é mais fácil, porque dá para comprar roupas “normais” um número maior. Daí em diante, complica. Na falta de peças bonitas e confortáveis adequadas para as medidas roliças, optei por coisas bem básicas: preto, branco, legging, vestido, batinha...
Não me venham dizer que existem lojas especializadas em gestantes. Pelo menos as daqui de Brasília só têm coisas horríveis, com preços exorbitantes. Uma legging pode custar quase R$200! Muito semelhante àquela que a gente compra na Zara por R$40... Só que mais feia! Paguei uma pequena fortuna numa calça jeans com elástico na barriga, que precisou de ajustes para não parecer que eu estava vestida num saco de batata e que me serviu por duas semanas...

Roupinhas pretas sempre ajudam

Depois que eu superei essa fase de tentar comprar tudo, e ficar t-u-d-o horrível, usei durante seis meses só o kit maternidade que minha sogrinha me deu de presente. Obviamente, ela comprou em São Paulo. Tinha uma saia preta, uma calça preta, uma blusa preta, uma faixa preta e um vestido... preto! Tudo muito versátil e confortável. Eu ia combinando com outras peças e estava sempre bem razoável.
Últimos dias de barrigão
Depois que Téozito nasceu, a coisa complicou. E eu que pensava que nada poderia ser mais difícil de vestir que uma mulher com um barrigão desproporcional de nove meses de gestação... Mas tem algo consideravelmente mais difícil: uma mulher inchada de pós-gestação, com dois peitos cheios de leite! As roupas de maternidade ficavam folgadas, as de antes, rá rá rá... não cabiam nem em sonho! Além de nada do guarda-roupa me servir, ainda tinha que pensar em como amamentar! Tudo tinha que ter botão ou uma alça bem fácil de abaixar! Teve um vestidinho estampado que minha irmã me mandou parar de usar porque ela já não aguentava mais ver... Eu usava, lavava. Na próxima saída, colocava de novo.
Eu não conseguia nem comprar roupa. Primeiro porque rolava aquela pressão: vou emagrecer e caber nas minhas antigas peças! Depois porque era difícil achar algo que não marcasse a barriga enorme, que permitisse amamentar, que não fosse curto, nem justo, nem decotado, alças largas para esconder o sutiã de amamentação, que desse para usar cinta por baixo... Acho que só um saco de batata ficaria bem! De preferência tampando a cabeça também...



14 de abril de 2011

Super bebê contra o hemangioma

Já senti na pele o que é temer pela vida de um filho. Não aquele medo abstrato que a gente sente de perder quem a gente ama. Senti de perto, de um jeito tão palpável como preferia nunca ter sentido. Téo nasceu com um tipo raro e perigoso de hemangioma. Esse nome serve para muitas coisas, desde manchinhas avermelhadas inofensivas até tumores que podem causar seqüelas e, em casos extremos, risco de morte.
Você deve estar pensando “meu filho tem um hemangioma!”. Muuuuitos bebês nascem com marquinhas avermelhadas na pele que somem logo. Outros nascem com uma mancha cor de vinho. Você também deve estar lembrando de um conhecido ou alguém que viu na rua com uma mancha no rosto. Tudo isso é chamado de hemangioma. A cada cem crianças, três a cinco nascem com hemangiomas. É três vezes mais comum em meninas. A maioria não traz grandes perigos, a não ser estéticos. Mas Téo, um menino, nasceu com um. O tipo mais agressivo. Ficava no lábio superior e foi crescendo. Quando ele estava com um mês, estava do tamanho de uma azeitona e apareceu uma ferida no local.
Ninguém nunca nos alertou sobre a chance daquela manchinha ser algo perigoso. Nenhum dos médicos que o viu nesse primeiro mês de vida. Quando a ferida apareceu, meu pai ligou para um primo de Minas que é pediatra, e ele nos disse que poderia ser grave. Era sábado. Na segunda, tentamos levá-lo na nossa pediatra, mas não tinha horário. Ela nos indicou um médico que tratava hemangiomas no Hospital Materno-Infantil, um hospital público aqui de Brasília. Fomos até lá na terça. Ele nos atendeu nos corredores, como um encaixe, já que estávamos muito preocupados.
Téo estava no bebê conforto, vestido com um macacãozinho azul escuro que a tia Ju deu para ele, lindo, dormindo. O doutor olhou para ele e fez uma careta. Meus olhos encheram de lágrimas e meu coração disparou. Caiu a ficha de que poderia ser grave mesmo. Segundo ele, era preciso deter o crescimento do hemangioma o quanto antes, caso contrário ele bloquearia as vias aéreas ou a boca, impedindo o bebê de respirar e comer, ou, na melhor das hipóteses, Téo teria uma deformação na face.
O doutor pediu que esperássemos, que ele ia chamar uma colega que estava na sala de cirurgia para ver. Demorou uma eternidade. Ela veio, olhou. Cara de consternação. O veredicto: “Vocês devem levá-lo para São Paulo. Não podemos fazer nada.”. Quando ouvi isso, o chão sumiu. “Alguém pode me acordar desse pesadelo?”
Saímos do hospital com o nome da médica de São Paulo: Dra. Heloisa Campos. Na terça de noite, demos um “Google” no nome dela e achamos contatos e uma página com mais informações. Na quarta, falamos com ela por telefone. Ela pediu que enviássemos uma foto do Téo para ela avaliar a necessidade de tratamento em São Paulo. Na quinta, ela respondeu bem direta: “a situação é alarmante, pois o hemangioma está crescendo muito rápido, numa região perigosa e com uma lesão. Venham para SP o quanto antes”.
Na sexta de manhãzinha, estávamos com o Téo dentro do avião. Fomos eu, Yuri e Camila, minha irmã e madrinha dele. Foi a primeira viagem de avião do pequeno. Ele adorou! Era o “carro” mais rápido que ele já tinha visto! Dormiu quando as turbinas ligaram e acordou quando o trem de pouso bateu no chão.
Dra. Heloisa é muito simpática. Nos recebeu com muita gentileza, explicando tudo tim tim por tim tim. E, graças a Deus, nos deu a melhor notícia que já recebemos na vida, depois do anúncio da gravidez: Téo iria melhorar. Muito. O tratamento adequado faria o hemangioma regredir bastante e descartaria a possibilidade de agravamento da situação.
Téo tomou corticóide por três meses. Ficou com o cartão de vacinas todo atrasado. E toma propanolol, um remédio para pressão que descobriram por acaso que diminui hemangiomas, desde o primeiro mês até hoje, duas vezes por dia. De vez em quando, a gente vai a São Paulo fazer o acompanhamento com a dra. Heloisa. E temos uma oncologista pediátrica muito boa aqui em Brasília para fazer as consultas de rotina, dra. Paula.
Ele melhorou. Está ótimo. Às vezes, eu me pego pensando “nossa, Téo nunca ficou muito doente, que bom”! A única coisa que eu faço questão de lembrar sempre é que pouca gente sabe o risco que um hemangioma pode trazer. Não só de vida, mas de seqüelas graves para a criança. Porque esse tumor cresce, cresce e depois regride. Mas deixa um “buraco” no lugar, deformando o rosto. Antigamente, não se sabia como tratar. O comum era deixar crescer e deixar diminuir. Aí depois, se tivesse como, se fazia uma cirurgia reparadora. Mas, hoje, o melhor tratamento é tratar! Pouca gente sabe disso porque o problema é raro. Em Brasília, não há especialista em hemangioma. Imaginem no interior do Brasil a fora! Além disso, muitas pessoas abandonam o tratamento quando vêem que o filho melhorou. Aí o hemangioma volta a crescer, ainda mais forte.
Por isso, não perco uma chance de falar do hemangioma do Téo. Até no avião, em uma das vezes que o levei a SP, comentei com uma conhecida o que estava indo fazer lá e uma passageira do lado veio falar comigo que a filha tinha hemangioma e o médico tinha dito para não fazer nada... Quando alguém pergunta “o que é essa machinha”, eu vou logo contando tudo. Se eu conseguir ajudar uma só pessoa, já terá sido bom. É o mínimo que posso fazer para retribuir ao universo a sorte que tive com o Téo.
Antes

Hoje

13 de abril de 2011

As tais cólicas

Não sou especialista em cólica de bebê: Téo sofreu com elas por muito pouco tempo, umas duas ou três semanas. Aliás, não sou especialista em nada que se refere a bebês. Só tenho algumas histórias para contar das experiências que vivo, enfim... Mas é fato: as cólicas são assustadoras. Elas acontecem justo nos primeiros meses de vida da criança, quando os pais estão mais “crus” e despreparados para lidar com isso.
Para começar vem a dificuldade de diagnóstico: é cólica o que o meu filho tem? O choro pode ser fome, sono, irritação ou simples manha. Tudo isso deve ser diferenciado apenas pelo choro! Ok, por mais que os livros digam que rapidamente os pais aprendem qual choro é de que, comigo não foi assim, não! Você, mãe – ser que conviveu intimamente com aquele bebê por nove meses, afinal ele estava dentro de você, olha para aquela carinha roxa de tanto se esgoelar e... chora! Sei lá o que ele quer! E quando você acha que sabe o que é, sempre tem um espírito de porco que não tem nada a ver com isso que diz: “Ah, não é cólica não, é sbrubles”. Aff... Vontade de jogar o(a) intrometido(a) pela janela!
Na dúvida, em meio a tantos conselhos e leituras, fui na da minha pediatra: se chorar demais, sem parar, geralmente no fim do dia, muito irritado, sem querer mamar, é cólica! Como o Téo sempre foi calmo, eu fui identificando que tinha um tipo de choro que ele ficava muito nervoso, do nada. E passei a tratar “isso” como cólica.
Tá bom, mas e aí? Tentei de tudo um pouco. Dar Luftal. Zero benefício, no caso do Téo, e uma prisão de ventre de “brinde”. Tylenol? Nunca cheguei a dar, mas uma amiga dava de oito em oito horas e também não resolvia. Funchicória tinha um efeito melhor: era docinha, ele sugava a chupeta com força e relaxava por um tempo. Mas, se fosse uma “das bravas”, ele chorava do mesmo jeito. No fim, paramos de dar remédio. “Nada resolve de fato o problema, então vamos deixar o organismo do menino trabalhar sozinho...”
Claro que a gente não ficava olhando a criaturinha se debulhar em lágrimas sem fazer nada! Adotamos soluções paliativas para aliviar o sofrimento dele. Uma delas era colocar o menino com a barriguinha pressionada na nossa barriga, como na foto. Geralmente era o pai quem fazia isso porque os peitos inchados e doloridos da mãe atrapalhavam... Outra boa dica era a bolsinha de água quente. O melhor era juntar as duas coisas, colocando a bolsa entre as duas barrigas, e ainda dar a chupeta de funchicória!
Segundo os especialistas, as cólicas são causadas pela formação dos intestinos da criança. As dores são provocadas pelas bolhas de gases que se formam nesse período. É como se o bebê sofresse com uma dor de algo que é natural do corpo. Por isso, muitos dizem que nada que a mãe coma interfere. Ou seja, aquela história de chocolate, suco de laranja e etc, seria furada. Mas há os que defendam que tem a ver sim... E tem quem diga que o principal fator é emocional: o estresse dos pais influencia nas cólicas.
No meu caso, comi de tudo. Inclusive, comia muito chocolate! Afinal, se a coisa é emocional, mãe feliz e tranquilinha, bebê sem cólica, certo? ;)

12 de abril de 2011

A famigerada chupeta

“Dá a chupeta, mamãe, dá a chupeta, mamãe, dá a chupeta pro neném não chorar”, já dizia a marchinha de outros carnavais. Mas, no que se refere a bebês, o que hoje é permitido e recomendado amanhã será execrado como o maior pecado da humanidade. E foi assim que a chupeta entrou nessa lista de “não faça”, com força. Dá cárie, entorta os dentes, deforma a boca! O Ministério da Saúde contra-indica o uso, porque prejudica o aleitamento materno. Só uma mãe muito, muito negligente deixaria seu rebento fazer movimentos de sucção naquele objeto de plástico.
Eu, mãe de primeira viagem, segui essas veementes recomendações e não dei chupeta para o Téo. Sentia um orgulho enorme em dizer: “não, ele não usa chupeta”. Cheguei a levar duas esterilizadinhas para a maternidade, mas fiquei feliz em perceber que elas não eram tão necessárias. Quando ele chorava, eu dava de mamar e ele dormia. Ou, então, ninava um pouquinho e ficava tudo bem. Quando ele teve cólica, apelamos para a chupeta com funchicória para aliviar o sofrimento dele, mas diante do insucesso dessa tentativa, abandonamos as chupetas dele num canto, amareladas pela funchicória...
Mas eis que veio a realidade contradizer todos os meus conhecimentos teóricos sobre a maternidade. Téo, sentindo uma necessidade urgente de sugar algo e sendo privado da chupeta pela mamãe, apelou à mais rudimentar técnica para se acalmar sozinho: chupar dedo. Terminava de mamar e lá ia o polegar para a boquinha. Acordava no meio da noite e chupava o dedo até adormecer de novo. Começava a ficar com sono e lá ia a mão para a boca, até encontrar o dedinho do aconchego. Meu filho, que não usava chupeta, chupava dedo! #fail
Conversei com a pediatra, que me orientou a dar a chupeta para ele. Segundo ela, esse objeto de plástico não é tão perverso assim, só vai trazer prejuízos eternos se for usado por muito tempo. Mas a frase que me convenceu definitivamente foi: “a chupeta a gente tira quando chegar a hora, o dedo não”. E chupar o dedo traz ainda mais danos para a criança: de problemas nos dentes a deformações no dedo. Ainda assim, Yuri não ficou satisfeito. Estava cego para a insistência do menino em colocar o dedo na boca: “não, ele só está lambendo o dedinho”. E o bebê “chomp, chomp, chomp”, sugando desesperadamente...
Aí eu dei a chupeta e vivemos felizes para sempre, certo? Em parte. Quem disse que o Téo queria chupeta? Tsc tsc... Eu colocava a dita cuja na boca dele, ele cuspia. Eu colocava de novo, ele começava a sugar, “ufa”. Mas dava um jeito de ir enfiando o dedinho na boca, junto com a chupeta! O pior era quando isso acontecia de noite. Eu ia e voltava do quarto sem parar, para trocar o delicioso polegar pela insossa chupeta!
Um dia ele acostumou. E aí a felicidade foi grande mesmo. Acredito até que foi mais fácil estabelecer a rotina de sono dele graças à chupeta. O bebê realmente tem uma necessidade de sucção infinita! Acho que o peito da mãe não dá conta de tanta “carência”. Ainda não tive coragem de perguntar para a pediatra qual é a idade em que vamos ter que tirar a chupeta! E o pai? Ah, agora é “Cadê a chupeta? Traz a chupeta, mamãe, pro bebê não chorar”.

11 de abril de 2011

Dormindo com Pink Floyd

Confesso: nunca tinha lido nada sobre sono de bebês até lá pelos três meses do Téo. Um belo dia, estou na consulta com a pediatra e ela fala assim: “agora está na hora de ensinar Téo a dormir. Você precisa criar uma rotina de sono”. Fiz algumas perguntas sobre o assunto, mas, para não passar recibo de “mãe-relapsa-que-não-devorou-toda-a-biblioteca-sobre-criação-de-bebês”, deixei para me informar mais depois. Li algumas matérias de revistas especializadas, sites, juntei com o que ela tinha me dito e lá fomos nós.
Téo já dormia no quarto dele desde o primeiro mês de vida. Assim que voltei da casa da minha mãe, onde passei os primeiros dias, colocamos o pequeno direto no berço. Desde então ele dorme lá, de porta fechada e com a luz apagada (só tem uma luzinha bem fraquinha, mais para a gente não trombar em nada quando sai de lá). Então, esse desafio eu não tive que enfrentar, afinal, ele já estava bem acostumado com o quarto dele.
O segundo passo da rotina foi passar a dar um segundo banho nele no fim do dia, para relaxar. Tentei o badalado banho de balde, mas foi um fiasco. Ele detestou e chorou muito! Optei pelo tradicional banho na banheirinha mesmo, com aguinha morna e sabonetinho com perfume relaxante. Essa parte também foi moleza.
Depois eu vestia o Téo com a roupinha de dormir, diminuía as luzes do quarto (só um abajur aceso), colocava uma música para relaxar e dava de mamar. O CD que ele sempre ouviu para dormir é “Pink Floyd for babies”, que ele ganhou do vovô Geraldo e é super fofo e tranquilinho (além de ser uma tentativa para que o menino não me peça depois para ir ao show do Luan Santana).
A partir daí começou a complicar: o próximo passo era colocá-lo no berço ainda acordado. Até então eu tirava o menino do peito só quando ele já estava capotado. Se largasse o peito, mas ainda não estivesse dormindo, eu colocava de novo para mamar, até dormir! Aí eu passei a levá-lo para o berço assim que acabava de mamar. E ficava lá, até ele começar a fechar os olhinhos. E saía antes de ele dormir de vez, para acostumar a dormir sem a minha presença.
Essa foi a parte mais difícil. Às vezes, ele deitava, piscava os olhinhos uma vez, duas, três, eu saía e ele dormia. E a mãe exausta podia respirar aliviada por umas boas horas. Mas era bem comum que ele chorasse. Aí eu voltava para o quarto, balançava ele dentro do berço, cantava, fazia carinho para ele relaxar de novo. Ou então ficava lá para ele me ver, até que estivesse tranqüilo o suficiente para dormir.
Em último caso, tirava o Téo do berço, acalmava e colocava lá de novo. Aí recomeçava o processo. Engraçado que eu fazia isso por conta própria, achando que era ideia minha. Depois descobri que a Tracy Hogg recomenda isso...
Bom, fato é que na maioria das vezes funcionou, sim. Me custou muitas horas em pé ao lado do berço, muitas idas e vindas ao quarto dele... Mas preciso admitir que nem sempre eu cumpri à risca essa rotina. Teve algumas vezes em que ele chorou demais e eu tinha que dar aula (parece até que ele adivinhava que eu ia sair), e eu acabava colocando ele no peito de novo, para acalmar e ver se o sono chegava mais rápido.
Com o tempo ele foi se acostumando a essa rotina. Isso não quer dizer que sempre dê certo. Parece que tem épocas em que a criança está mais avessa a “regras”. Uma coisa que eu reparei, por exemplo, é que tinha dia em que ele não queria dormir porque estava sem sono. Aí era dureza. Ficava com o pé doendo de ficar plantada ao lado do berço, só para não dar a deixa para ele achar que podia me “manipular”, hehe...
E ele ter rotina de sono não quer dizer que tenha parado de acordar de noite para mamar!!! Ele acordava meia-noite, três da manhã e sete da manhã. E isso durou um bom tempo! Eu tinha lido que lá pelo quarto mês os bebês já não precisam mamar à noite. Pois Téo foi até o sexto mês acordando desse jeito, até pular a das três da manhã. Nessa fase eu comemorei. Dormir depois da mamada dele da meia noite e só acordar às sete foi um luxo e tanto!
Téo acordava e mamava mesmo, com vontade, esvaziava os dois peitos. Tem criança que acorda só para ir para o peito, fica lá cinco minutos e dorme. Nesse caso, é preciso “tirar a mamada”. A recomendação mais difundida é que o pai vá ao quarto (para o bebê não sentir o cheiro da mãe) e dê uma mamadeira com água. Quando Téo acordava fora de horário da mamada, Yuri fazia isso e dava certo, ele dormia de novo.
Hoje, ele dorme de oito da noite até oito da manhã. Direto, sem acordar. Desde que desmamou e não gostou da mamadeira, desistiu de acordar. Criar a rotina de sono, ficar plantada do lado do berço, tirar e por o menino duzentas mil vezes até ele desistir e dormir é o tipo de sacrifício que eu acho que vale a pena.
 PS: De dia, Téo dorme na cama do papai e da mamãe...


6 de abril de 2011

O bebê nasceu, e agora? Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas...


Logo que Téo nasceu eu tinha muitas, muitas dúvidas. Não importa o quanto a gente leia sobre o assunto, se prepare, pergunte... sempre sobram questões. E, muitas vezes, é até difícil conseguir que alguém responda às perguntas mais urgentes: a mãe não lembra, o pediatra não atende, a consulta com o obstetra é só no fim do mês... E aí o que ajuda mesmo é ter uma amiga que já teve filho. Todo esse “nariz de cera” (expressão que a gente usa em jornalismo para nomear um começo de texto que não diz nada, só floreia) para dizer que resolvi escrever sobre as minhas primeiras dúvidas para ver se posso ajudar a amiga Luiza, mamãe do Benjamin.

Preciso acordar o bebê pra mamar?
Além das enfermeiras, todos os pediatras da maternidade disseram que sim. Durante exatos 12 dias eu acordei o Téo para mamar de três em três horas. Mas na primeira consulta com a pediatra dele, a orientação foi: se o bebê está bem, ganhando peso, deixe ele dormir!!! Engraçado que foi a mesma coisa que minha avó, que criou cinco filhos, disse: “em criança que está quieta não se mexe!” Nunca mais acordei o Téo e ele está ótimo, com peso excelente.
Posso dar de mamar quando ele quiser?
Existe uma série de especialistas que dizem que devemos amamentar só de três em três horas, para o bebê não ficar “chupetando” o peito. A mais famosa é a Tracy Hogg, conhecida como encantadora de bebês. Ela defende uma rotina rígida para os bebês desde a mais tenra idade, com horários de mamadas e sonecas. Eu adotei o regime de “livre demanda”, ou seja, dar o peito a qualquer hora. Se Téo chorasse apenas uma hora depois de ter mamado e eu suspeitasse de fome, dava o peito.
E se o bebê dormir no peito?
Não é indicado. Eu deixava ele dormir no peito até o terceiro mês. Só a partir do quarto mês que comecei a criar uma rotina de sono, para fazê-lo dormir à noite. Aí acostumei ele a adormecer no berço e deu certo.
O bebê dorme quase o dia todo, é normal?
Sim, é normal. O Téo só passou a “acordar para a vida” mesmo lá pelo terceiro mês. Antes disso, eles tirava looongas sonecas sem diferenciar o dia da noite.
Ele soluça muito e não arrota!
É super normal soluçar. E é normal também não arrotar mesmo ficando dez minutos na posição vertical.  Significa que mamou direitinho, sem engolir ar.
Posso pegar no colo, balançar, ninar?
Olha, uns dizem que vicia, outros que é importante para a criança se sentir protegida, amada. Quando Téozinho era bem bebê, eu ninava. Até porque ele era levinho! Quando comecei a criar a rotina de sono dele, parei de ninar, para ele não associar o balanço com o sono. Mas sempre fui mais do tipo que “pega no colo” do que do tipo que deixa o bebê se virar. Tanto é que ele não engatinha até hoje, com quase dez meses!
O leite materno não sustenta meu filho.
Sim, o leite materno faz o bebê ter fome mais rápido que o leite de fórmula. Mas isso não é ruim de jeito nenhum, gente! O nosso leite é mais fácil de digerir! Por isso, eles querem mamar de novo. Mas não significa que tenham ficado com fome, que o leite materno não vá nutri-los...
Meu peito fica muito cheio de leite.  Que fazer?
Essa era uma das dúvidas que mais me atormentava. Aquele peito duro, de tanto leite. Uns dizendo para tirar, outros para não tirar porque ia faltar para o bebê e etc etc. Uma coisa é fato: tirar o leite vai fazer com que mais leite seja produzido. Então, é melhor evitar tirar, para que a oferta seja regulada pela demanda do bebê. Eu nunca tirei e com o tempo a produção foi se ajustando, até o completo desmame. Agora, se parecer que o peito vai empedrar, aí é melhor tirar. Quem ajuda a avaliar isso é o Banco de Leite.

E vou ficar “pingando” leite para sempre?
Não! Graças a Deus! Hehe... Depois de um mês ou dois, passa e os absorventes de seio vão ficando cada vez mais desnecessários. Ah, não é bom dormir com esses absorventes nem com as conchas, porque pode favorecer o desenvolvimento de fungos. E como fazer? Não tem muito jeito não. Eu dormia com uma fralda dentro da camisola, mas tinha que trocar o lençol da cama mesmo assim, de tanto leite que vazava.
E amamentar vai doer sempre?
Também não! Amamentar só dói no comecinho, até a gente acostumar. Duas coisas que ajudam: usar aquelas conchinhas para preparar o seio antes do bebê nascer, usar a conchinha que evita o contato da roupa com o mamilo logo depois de o bebê nascer, e tomar sol no seio. Ah, e uma dica ótima: no final de cada mamada, passar leite em todo o mamilo. Santo “remedinho” natural!
 E a derradeira dúvida, aquela que não quer calar: essa barriga enooorme vai voltar ao normal?
Sim, volta. Claro que não vai voltar a ser aquela barriga negativa, reta e durinha. É muito difícil ser a mesmíssima de antes, depende da genética e do esforço da mulher antes e depois da gravidez. Mas aquela “pança” enorme do pós-parto, que parece uma barriga de seis meses, vai diminuindo com o tempo. Às vezes, a gente pensa que não vai voltar, porque pode demorar. Tem mulheres que só recuperam a forma depois de um ano! Mas podem acreditar: melhora a cada mês. Principalmente se você estiver amamentando.
É isso. Espero ter ajudado! J

5 de abril de 2011

Minha primeira vez no cinema

No último mês antes de Téozinho nascer fui ao cinema mais de uma vez por semana. Vi filmes duvidosos, tipo Avatar, o lançamento do Woody Allen, um bobo do Robin Hood e por aí vai. Parece que estava adivinhando: fiquei dez meses sem ir ao cinema. Como dou aula à noite e só agora tenho babá, sempre dependi da minha irmã, dos meus pais e da minha sogra para ficarem com o Téo. Aí evitava pedir para alguém cuidar dele para sair para passear, a não ser em emergências, tipo casamentos!
Na terça-feira passada (29/03/2011) teve uma sessão especial para as mães com bebês aqui no Iguatemi, pertinho de casa, e eu fui. É um projeto bem legal, o Cinematerna, que prepara todo o ambiente para que os babies fiquem numa boa enquanto as mamães curtem o filme. A luz fica um pouquinho acesa, o som é um pouco mais baixo, o ar mais ameno e tem trocadores na sala.
O barulhinho de choro é inevitável. Mas, honestamente, não me incomodou em nada. Acho que choro de bebê é chato só para quem não tem filho. Quando a gente tem um chorãozinho em casa, se acostuma e passa até a gostar. Mas eu não posso reclamar do Téo. Ele se comportou maravilhosamente bem. Dormiu metade do filme e ficou distraído com os brinquedos dele, no meu colo, na outra metade.
A parte mais engraçada era o filme em cartaz, que é escolhido em votação pelo site do Cinematerna. “Sexo sem compromisso” não é exatamente um filme que a gente imagina para assistir junto com o bebê, rsrsrs... Mas o legal do projeto é exatamente isso: o filme é para a mãe, não para o bebê. Porque quando um filho nasce a gente praticamente deixa de existir como ser autônomo. Dorme só quando ele dorme, come quando ele está bonzinho, dá de mamar na hora em que ele quiser, escolhe os passeios pensando no que o bebê vai gostar...
Ali, naquele cinema, eu fiquei pensando nas mudanças que ocorrem na vida sem que a gente se dê conta. Ali eu estava, por duas horas, assistindo a um filme para mim (bom, eu preferia que o escolhido fosse o “Discurso do Rei”, mas tudo bem...). Antes isso era o óbvio. Tantas vezes eu deixei de ir ao cinema porque tinha que acordar cedo, não gostava muito do filme que estava passando naquele horário que dava para ir, no fim de semana é muito caro e etc etc. Agora, tenho só um horário, um filme, uma vez por mês. E acho ó-ti-mo!!! ;)

3 de abril de 2011

Chá de papinha

Quando começam os preparativos para a chegada de um bebê, temos que comprar roupinhas, móveis, um milhão de tric trics tecnológicos que prometem mundos e fundos e, claro, as fraldas. Para ajudar os futuros papais com o enxoval, são organizados os chás de bebê. Há uns anos, o chá virou de fralda, para amenizar os custos com esse produto essencial. Ok, eu sei que existe uma onda de propor a volta às fraldas de pano para pouparmos o planeta, mas eu posso falar com a propriedade de quem troca fraldas há quase dez meses: vamos salvar o planeta de outra forma, por favor!
Conheci uma vez um casal tão preocupado com as fraldas, que já tinha economizado mais de R$ 1.000 só para cobrir esse gasto e eles ainda estavam no quinto mês de gravidez! Só que fralda já não é mais um item tão caro. Bom, é caro, mas não pesa tanto assim. Gastamos no máximo R$ 150 por mês com isso, e olha que eu compro a top da marca mais cara que existe! Poderia economizar usando fraldas da mesma marca, mas um pouco mais simples, se quisesse.
O que a gente só descobre lá pelo sexto mês é que o caro mesmo é alimentar um bebê. Pelo menos se a ideia for proporcionar uma alimentação saudável e variada. Meus gastos com feira chegam a R$ 100 por semana! Sem contar a carne, o arroz, o macarrão e outros itens... Não, eu não compro nada banhado a ouro. O único luxo são os tomates e as folhagens orgânicos. O resto é batata, cenoura, berinjela, chuchu, beterraba, inhame, caqui, kiwi, manga, laranja, uva, abacaxi, melancia, maçã, pêra e banana. E essa não é a lista de itens ENTRE os quais eu escolho, essa é EXATAMENTE a minha lista de compras semanais!
Outra coisa que pesou no orçamento foi decidir pelas papinhas Nestlé no fim de semana. É que nós não paramos em casa no sábado e no domingo. Então, a opção de congelar a papinha durante a semana não deu certo. Quem conhece meus dotes culinários sabe que a opção de cozinhar para o Téo não foi considerada por uma questão de sobrevivência do menino. Depois de perder, esquecer e até derreter vários potes de comida congelada, eu desisti. Cada potinho pequeno custa na faixa de R$ 3,50. O médio custa quase R$ 5.
Meu pequeno glutão come por refeição, dependendo do apetite do dia, uns dois potes médios, ou três pequenos, ou até mesmo um grande e dois pequenos (o que equivale a 400gr! Mas vamos deixar esse assunto para outro post). Isso dá uma média de quase R$ 11 por refeição, sem falar na sobremesa. Se eu não tiver fruta perto, vai mais um potinho pequeno. Sendo assim, somando almoço e jantar, no sábado e no domingo, o gasto semanal chega a R$ 44 ou R$ 58 com a sobremesa!  Por isso, meu próximo filhote terá um chá de papinha Nestlé...
PS: Para que ninguém duvide que gasto com alimentação do filho é investimento, publico aqui um vídeo do Téo todo feliz depois de “devorar” um figo.
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2 de abril de 2011

Leite de colherzinha

Conformada com o desmame voluntário do bebê, segui para o supermercado. Peguei NAN 2 e pedi ao pai da criança para comprar uma mamadeira. Lemos as instruções e ficamos tranqüilos esperando Téo acordar para mamar. Afinal, não é tão difícil preparar a fórmula infantil e eu deixei a mamadeira com água e a lata de NAN no nosso quarto, para não ter que descer escada correndo quando ele começasse a resmungar.
Nhém, nhém... E lá vamos nós. Sete colherinhas de pó na água, chacoalha, põe na boca do bebê e... ele cospe! Ok, nova tentativa. E tudo cuspido de novo. Certo, vamos apelar: deita ele de lado e põe a mamadeira na boca... e cuspidas again!... Sim, nós somos pais incansáveis, vamos fazer uma derradeira tentativa. O pai desce as famigeradas escadas, corre até a cozinha, descasca um kiwi, bate com o leite no liquidificador, côa os carocinhos, põe de volta na mamadeira e entrega para a criança. E... cusparada!! É, vamos dar água mesmo e amanhã de manhã ele vai mamar, porque estará bem faminto.
Só que ele também não quis de manhã! Yuri teve que dar o leite junto com uma manga amassada (não, manga com leite não faz mal!). Mesmo assim ele não quis tudo. Aí euzinha voltei ao mercado e comprei Mucilon, que faz as criancinhas felizes com sua fórmula açucarada. E de noite conseguimos empurrar goela abaixo uma mamadeira com NAN e um pouco de Mucilon, enquanto ele estava praticamente dormindo, nem tiramos do berço.
Mas de manhã, nem quis provar a mamadeira. Fiz uma papa com mamão, NAN e Mucilon e lá fomos nós, dar leite de colherzinha para o Téo. Depois de superado o estranhamento inicial com o gosto, pus tudo na mamadeira, mas ele não quis! Ou seja, Téo só quer tomar o leite na colherzinha! O problema não é o gosto do leite de fórmula (ou a falta dele), é a mamadeira!
Gente, dá um desespero tão grande ver a criança recusar um alimento tão essencial como o leite, que eu juro que passei a entender melhor quem coloca Nescau ou açúcar na mamadeira! O pior não é nem a trabalheira que dá para preparar tudo, ficar insistindo e tal. É ver que ele precisa de cálcio e que o leite é praticamente a única fonte, mas ele não quer!
Bom, vou continuar a apelar para frutas e outros estratagemas semelhantes. Não quero que Téo se acostume a tanto açúcar. Já basta o Mucilon. Sou chocólatra e sei o que isso me custa!

1 de abril de 2011

O dia em que o menino não quis mais mamar

Só depois de 36 horas a minha ficha caiu: Téo não queria mais mamar no peito. Foram seis meses de amamentação exclusiva e mais 3 meses e meio de amamentação com alimentação complementar. Total: 9 meses e 17 dias dando de mamar a qualquer hora, em qualquer lugar, por todo o tempo que ele quisesse. Tudo bem que nos últimos meses a coisa era mais tranquila, com duas mamadas por dia, uma de manhã e à noite. Mas, no comecinho, eu chegava a passar 10 horas por dia com Téo no peito.
O que para algumas mães é sinônimo de dor e desconforto, para mim sempre foi bem tranquilo. Tá, no comecinho incomodou um pouco. Mas passou. E aí amamentar virou aquele momento especial de contato íntimo entre mãe e filho. Tudo bem, tem outros jeitos de estabelecer o vínculo com o rebento, mas não existe nada mais prático que tirar o peito para fora e saciar a fome de um bebê chorão.
Eu criei até um ritual: pegar um copão de água gelada, o controle da TV, o celular, prender o cabelo, lavar a mão, pegar o bebê, sentar na poltrona com a almofada de amamentação, dar mamar. Cheguei a passar mais de uma hora direto assim. Assistindo à TV, acessando a internet do celular, às vezes comendo chocolate, mas, principalmente, admirando a coisa mais linda do mundo: o Téo mamando.
E aí, um dia de manhã ele não quis mais. Virou o rosto, chorou, me empurrou. À noite, também não. E na manhã seguinte, a mesma coisa. Cheguei a colocar o peito na boca dele, numa última esperança de tentar ativar aquele instinto de sucção, como fiz quando ele tinha acabado de sair da barriga e não entendia o processo de mamar. Foi em vão.
Chorei. Foi o segundo cordão umbilical cortado! Senti um vazio. Ainda mais que aconteceu poucos dias depois de eu ter contratado uma babá. De repente, eu tenho tempo livre. Muito tempo. Beeem mais do que estive acostumada nos últimos quase dez meses. Dá até para escrever um blog!
Então, para não terminar o primeiro post com essa melancolia toda, vamos aos aspectos positivos: agora posso tomar cafeína, beber álcool e tomar remédios! Não bebo café, nem sou alcoólatra e só tomo remédio com prescrição médica. Mas ainda assim essa “liberdade” em relação ao que vou “ingerir” é uma novidade e tanto. Posso tomar bastante chá verde, chá mate, chá preto e todas as variações que amo. Posso tomar mais que meia taça daquela vinho bem gostoso, experimentar um drinque diferente e brindar com bastante champanhe no casamento da Camila na semana que vem. E posso tomar o remédio que for melhor para mim, para sarar mais rápido, em vez daquele que “pode ser tomado por lactantes”.

Para melhorar: posso sair bem cedinho para dar aula sem me preocupar com a mamada do Téo. “Será que ele vai acordar?” “Será que vai dar tempo de mamar o suficiente?” E vou poder voltar bem, beeem tarde para casa! É, tem suas vantagens...

PS: Pena que não vou poder mais comer uma barra de chocolate por dia sem engordar... Pelo menos vou ter tempo para começar a malhar! J

1, 2, 3 testando...

Desde a gravidez penso em escrever um blog. São tantas coisas novas, sensações, dúvidas... E, no meu caso, poucas pessoas para compartilhar isso. Sou a única nova mamãe na minha família. Primeiro neto dos dois lados. E tenho pouquíssimas amigas com filhos. Entre as mais chegadas, nenhuma.
A vontade de contar todas essas novidades cresceu quando Yuri me apresentou o blog da Maria Clara, nossa colega da faculdade. Mas faltava tempo.
Agora, a fome encontrou a vontade de comer e aqui estou. Espero não aborrecer tanto aos meus prováveis três ou quatro leitores falando sem parar de gravidez, maternidade, as fofurices do Téo e afins. É que, além desses assuntos, ultimamente eu só tenho a minha pesquisa de doutorado sobre interdisciplinaridade e epistemologia da Comunicação. E sobre isso eu já vou escrever umas 400 páginas, então não preciso de blog... Não tenho ido a restaurantes, não estou muito por dentro das tendências fashion e nunca mais fui ao cinema. Para quem, mesmo assim, quiser ler, vamos lá...