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21 de maio de 2013

Téo e a batalha contra o hemangioma


Como vocês leram aqui no blog, Téozinho está desde o primeiro mês de vida lutando para controlar seu hemangioma, do tipo que cresce, tem lesões, pode deixar sequelas e até ter risco para a vida. Felizmente, temos sido muito bem assistidos e ele vem conseguindo vencer todos os rounds dessa batalha. Apesar de o blog não ter mais notícias recentes sobre as aventuras do meu pequeno guerreiro, considero importante relatar o desenrolar do tratamento dele, já que ainda recebemos muitos e-mails e visitas ao blog de quem tem dúvidas sobre hemangiomas.
Téo com um mês de vida: o hemangioma está grande, muito vermelho, com grande volume interno e empurrando o nariz para cima.


O hemangioma com a ferida, no dia em que fomos a São Paulo pela primeira vez.
Só para recapitular: Téo nasceu com uma pequena manchinha na boca, diagnosticada como um hemangioma, ou seja, um tipo de tumor benigno que cresce e depois regride. Só que o dele cresceu rápido demais e num lugar inconveniente: o lábio superior, avançando em direção ao nariz. Poderia haver deformações e outros riscos. Com um mês de vida, estava com o tamanho de uma azeitona e surgiu uma lesão, que sangrava toda vez que ele mamava. Resolvemos buscar ajuda. Só encontramos tratamento especializado fora de Brasília. Mas, em São Paulo, ouvimos a boa notícia: ele poderia ser tratado antes de ficar com sequelas graves.
Téo alguns meses após começar o tratamento com propanolol.


Téo tomou propranolol por mais de um ano e o hemangioma melhorou muuuuito, significativamente. Algo espetacular mesmo. Em dezembro de 2012, ele já estava há um ano e  três meses sem tomar  o remédio, quando voltamos a São Paulo para o acompanhamento com a Dra Heloisa, que nos recebeu muito didática, como sempre, para discutirmos a continuidade do tratamento. O volume do hemangioma agora se resume a uma discretíssima bolinha interna, em cima do lábio, que só pode ser percebida quando ele sorri. A equipe médica da Dra. Heloisa, no A.C. Camargo, avaliou a boquinha dele e foi um consenso que ele não precisaria de cirurgia reparadora. Ufa! Os benefícios seriam pequenos, tendo em vista que não deve mais aumentar de tamanho.

Em dezembro, quando já tínhamos parado o propanolol há 1 ano e 3 meses.



A mancha vermelha no lábio e os vasinhos que ficam entre a boca e o nariz, porém, aumentaram. Não em quantidade, mas estão mais avermelhados e, por isso, mais visíveis. Tanto é que tive que concordar quando a doutora me perguntou se as pessoas estão  questionando o que é. Não fico muito tempo andando por aí sem ter que responder a algum curioso se ele caiu, se é uma cicatriz e tal. Dra Heloisa nos aconselhou o tratamento com laser para tirar essas marcas. Não qualquer um, mas um específico que atua melhor nesse tipo de lesão avermelhada, o Dye Laser.


Ao saber que ele teria que ficar sedado para fazer, porque dói e ele é pequeno, me deu um friozinho na barriga. Não resisti e perguntei à Dra. Heloisa se este seria só um procedimento estético e, portanto, menos importante. Como pais, foi nossa obrigação perguntar, afinal ninguém quer ver o filho passar por um procedimento desnecessário apenas para satisfazer algum desejo de que o baby seja perfeito. Ela foi muito clara ao me explicar que não é algo meramente estético, pois estamos cuidando para que Téo não se sinta diferente das outras crianças. Para que ele não tenha que responder que não é um machucado, que a mãe dele não deixou ele cair, e nem que ele não fez “arte” e levou um tombo, esse tipo de coisa que gente indiscreta  costuma perguntar. Pois, se doeu em mim o olhar de reprovação que já me lançaram quando ele era um bebê e o hemangioma estava ferido, como se eu fosse uma mãe relapsa e negligente, por que não incomodaria ele esse tipo de questionamento, uma criança prestes a entrar na fase de socialização, que está começando a se entender como indivíduo? Entendemos que aquilo era o que deveria ser feito e ficamos bem seguros com nossa decisão.


Esperamos passar o verão e a viagem para a praia, e agendamos a aplicação de Dye Laser para maio de 2013. Desta vez, fomos à Clínica Médica Ibirapuera, que é onde tem o equipamento. Nossa chegada a São Paulo foi com muita emoção: o avião estava com pneu furado, tivemos que pousar em Guarulhos, aguardar uma hora pelas malas, dar almoço para o Téo correndo (ele tinha que passar duas horas em jejum) e pegar um táxi voando para não nos atrasarmos! Foi bom para nos desviar do nervosismo, rsrsrs...


Téo estava tranquilão, gosta de viajar de avião, gosta de hotel... Nós contamos só o necessário para ele, que veríamos Dra. Heloísa, que ela o conhece desde bebê, que ia ver se a boquinha dele estava bem. Mas nós dois estávamos ansiosos. Ele teria que tomar um remédio para ficar meio sedado, não sabíamos direito se ia doer, como ia ficar depois... Na verdade, foi uma ansiedade desnecessária. A enfermeira que nos acolheu foi super didática e fomos ficando mais calmos.


A medicação era apenas para diminuir a dor no momento do procedimento e deixá-lo mais calmo, era Novalgina e Dormonid. Ele ficou bem grogue, mas nada que nos assustasse porque estava acordado, falando, brincando, só que beeem calmo. Ficou até engraçado! Foi com essa enfermeira que Téo entrou para fazer o laser. Nessa hora deu um apertinho no coração, vê-lo entrando sem a gente... Mas dali a dez minutinhos, já nos chamaram para falar com a doutora. Aguardamos um pouquinho e lá veio Téo todo tranquilo com um iPad na mão! Foi o jogo da memória mais looongo do mundo, porque, ainda sob o efeito do remédio, ele não acertava uma! Hehehe...


Logo após o laser, ainda na clínica.
A mancha da boca imediatamente parecia mais clara, assim como as manchas de dentro, na gengiva. As veiazinhas da bochecha e embaixo do nariz ficaram mais escuras, parecendo um machucadinho, mas nada assustador não. Inchou um pouco, mas ele tomou um anti-inflamatório e no segundo dia já estava normal. A manchinha escura da pele continua, temos que esperar para ver como ficou. Prometo colocar uma foto daqui a alguns dias.


Téo na noite depois do laser
Dra Heloisa nos explicou que o hemangioma mesmo acabou. Que alívio, viu! Agora o procedimento é fazermos aplicações de laser enquanto tiver manchas ainda, até que ninguém mais possa percebê-las. Nossa, saímos de lá levinhos, levinhos. Nosso pequeno ainda ficou todo engraçado por causa do remédio por algumas horas. No dia seguinte, graças a Deus, não se lembrava de nada. Olhou no espelho e perguntou: “que é esse vermelhinho?”. Não tinha nem noção do que tinha se passado. Novamente, contamos apenas o essencial, que era um tratamento e que ia sarar logo. As crianças na faixa de 2 ou 3 anos ainda não entendem longas explicações, temos que ser bem objetivos.  


Como eu sempre digo para todo mundo que me pergunta e, muitas vezes, até para os que não perguntaram, hemangiomas têm tratamento e devem, sim, ser controlados desde cedo. A maioria dos médicos país afora, alguns deles muito bons no que fazem inclusive, simplesmente desconhecem isso, não tem essa informação. Felizmente, com a internet, nós podemos nos informar e correr atrás do melhor tratamento o quanto antes. J

PS: Se você clicar nos links encontrará todos os contatos do que foi citado neste texto. Se quiser entrar em contato comigo, pode deixar um comentário aqui ou mandar e-mail  para katrinetb@yahoo.com.br.