21 de maio de 2013

Téo e a batalha contra o hemangioma


Como vocês leram aqui no blog, Téozinho está desde o primeiro mês de vida lutando para controlar seu hemangioma, do tipo que cresce, tem lesões, pode deixar sequelas e até ter risco para a vida. Felizmente, temos sido muito bem assistidos e ele vem conseguindo vencer todos os rounds dessa batalha. Apesar de o blog não ter mais notícias recentes sobre as aventuras do meu pequeno guerreiro, considero importante relatar o desenrolar do tratamento dele, já que ainda recebemos muitos e-mails e visitas ao blog de quem tem dúvidas sobre hemangiomas.
Téo com um mês de vida: o hemangioma está grande, muito vermelho, com grande volume interno e empurrando o nariz para cima.


O hemangioma com a ferida, no dia em que fomos a São Paulo pela primeira vez.
Só para recapitular: Téo nasceu com uma pequena manchinha na boca, diagnosticada como um hemangioma, ou seja, um tipo de tumor benigno que cresce e depois regride. Só que o dele cresceu rápido demais e num lugar inconveniente: o lábio superior, avançando em direção ao nariz. Poderia haver deformações e outros riscos. Com um mês de vida, estava com o tamanho de uma azeitona e surgiu uma lesão, que sangrava toda vez que ele mamava. Resolvemos buscar ajuda. Só encontramos tratamento especializado fora de Brasília. Mas, em São Paulo, ouvimos a boa notícia: ele poderia ser tratado antes de ficar com sequelas graves.
Téo alguns meses após começar o tratamento com propanolol.


Téo tomou propranolol por mais de um ano e o hemangioma melhorou muuuuito, significativamente. Algo espetacular mesmo. Em dezembro de 2012, ele já estava há um ano e  três meses sem tomar  o remédio, quando voltamos a São Paulo para o acompanhamento com a Dra Heloisa, que nos recebeu muito didática, como sempre, para discutirmos a continuidade do tratamento. O volume do hemangioma agora se resume a uma discretíssima bolinha interna, em cima do lábio, que só pode ser percebida quando ele sorri. A equipe médica da Dra. Heloisa, no A.C. Camargo, avaliou a boquinha dele e foi um consenso que ele não precisaria de cirurgia reparadora. Ufa! Os benefícios seriam pequenos, tendo em vista que não deve mais aumentar de tamanho.

Em dezembro, quando já tínhamos parado o propanolol há 1 ano e 3 meses.



A mancha vermelha no lábio e os vasinhos que ficam entre a boca e o nariz, porém, aumentaram. Não em quantidade, mas estão mais avermelhados e, por isso, mais visíveis. Tanto é que tive que concordar quando a doutora me perguntou se as pessoas estão  questionando o que é. Não fico muito tempo andando por aí sem ter que responder a algum curioso se ele caiu, se é uma cicatriz e tal. Dra Heloisa nos aconselhou o tratamento com laser para tirar essas marcas. Não qualquer um, mas um específico que atua melhor nesse tipo de lesão avermelhada, o Dye Laser.


Ao saber que ele teria que ficar sedado para fazer, porque dói e ele é pequeno, me deu um friozinho na barriga. Não resisti e perguntei à Dra. Heloisa se este seria só um procedimento estético e, portanto, menos importante. Como pais, foi nossa obrigação perguntar, afinal ninguém quer ver o filho passar por um procedimento desnecessário apenas para satisfazer algum desejo de que o baby seja perfeito. Ela foi muito clara ao me explicar que não é algo meramente estético, pois estamos cuidando para que Téo não se sinta diferente das outras crianças. Para que ele não tenha que responder que não é um machucado, que a mãe dele não deixou ele cair, e nem que ele não fez “arte” e levou um tombo, esse tipo de coisa que gente indiscreta  costuma perguntar. Pois, se doeu em mim o olhar de reprovação que já me lançaram quando ele era um bebê e o hemangioma estava ferido, como se eu fosse uma mãe relapsa e negligente, por que não incomodaria ele esse tipo de questionamento, uma criança prestes a entrar na fase de socialização, que está começando a se entender como indivíduo? Entendemos que aquilo era o que deveria ser feito e ficamos bem seguros com nossa decisão.


Esperamos passar o verão e a viagem para a praia, e agendamos a aplicação de Dye Laser para maio de 2013. Desta vez, fomos à Clínica Médica Ibirapuera, que é onde tem o equipamento. Nossa chegada a São Paulo foi com muita emoção: o avião estava com pneu furado, tivemos que pousar em Guarulhos, aguardar uma hora pelas malas, dar almoço para o Téo correndo (ele tinha que passar duas horas em jejum) e pegar um táxi voando para não nos atrasarmos! Foi bom para nos desviar do nervosismo, rsrsrs...


Téo estava tranquilão, gosta de viajar de avião, gosta de hotel... Nós contamos só o necessário para ele, que veríamos Dra. Heloísa, que ela o conhece desde bebê, que ia ver se a boquinha dele estava bem. Mas nós dois estávamos ansiosos. Ele teria que tomar um remédio para ficar meio sedado, não sabíamos direito se ia doer, como ia ficar depois... Na verdade, foi uma ansiedade desnecessária. A enfermeira que nos acolheu foi super didática e fomos ficando mais calmos.


A medicação era apenas para diminuir a dor no momento do procedimento e deixá-lo mais calmo, era Novalgina e Dormonid. Ele ficou bem grogue, mas nada que nos assustasse porque estava acordado, falando, brincando, só que beeem calmo. Ficou até engraçado! Foi com essa enfermeira que Téo entrou para fazer o laser. Nessa hora deu um apertinho no coração, vê-lo entrando sem a gente... Mas dali a dez minutinhos, já nos chamaram para falar com a doutora. Aguardamos um pouquinho e lá veio Téo todo tranquilo com um iPad na mão! Foi o jogo da memória mais looongo do mundo, porque, ainda sob o efeito do remédio, ele não acertava uma! Hehehe...


Logo após o laser, ainda na clínica.
A mancha da boca imediatamente parecia mais clara, assim como as manchas de dentro, na gengiva. As veiazinhas da bochecha e embaixo do nariz ficaram mais escuras, parecendo um machucadinho, mas nada assustador não. Inchou um pouco, mas ele tomou um anti-inflamatório e no segundo dia já estava normal. A manchinha escura da pele continua, temos que esperar para ver como ficou. Prometo colocar uma foto daqui a alguns dias.


Téo na noite depois do laser
Dra Heloisa nos explicou que o hemangioma mesmo acabou. Que alívio, viu! Agora o procedimento é fazermos aplicações de laser enquanto tiver manchas ainda, até que ninguém mais possa percebê-las. Nossa, saímos de lá levinhos, levinhos. Nosso pequeno ainda ficou todo engraçado por causa do remédio por algumas horas. No dia seguinte, graças a Deus, não se lembrava de nada. Olhou no espelho e perguntou: “que é esse vermelhinho?”. Não tinha nem noção do que tinha se passado. Novamente, contamos apenas o essencial, que era um tratamento e que ia sarar logo. As crianças na faixa de 2 ou 3 anos ainda não entendem longas explicações, temos que ser bem objetivos.  


Como eu sempre digo para todo mundo que me pergunta e, muitas vezes, até para os que não perguntaram, hemangiomas têm tratamento e devem, sim, ser controlados desde cedo. A maioria dos médicos país afora, alguns deles muito bons no que fazem inclusive, simplesmente desconhecem isso, não tem essa informação. Felizmente, com a internet, nós podemos nos informar e correr atrás do melhor tratamento o quanto antes. J

PS: Se você clicar nos links encontrará todos os contatos do que foi citado neste texto. Se quiser entrar em contato comigo, pode deixar um comentário aqui ou mandar e-mail  para katrinetb@yahoo.com.br.






 

9 de julho de 2012

Imaginação, o melhor brinquedo

Carrinhos, bolas, jogos, pelúcias, instrumentos musicais e uma infinidade de coisas. O quartinho do Téo está abarrotado de brinquedos dos mais variados tipos e tamanhos. Tudo tão divertido, tão educativo e tão criativo., que me pego surpresa com as preferências dele.

Antigamente, brinquedo era uma coisa cara. Tinha uns que só faziam parte da imaginação da maioria das crianças de classe média. Você sonhava com a casa da Barbie, ou com a mesa de cirurgia do Playmobil e ficava por isso mesmo. Dessa forma crescíamos, no jogo de desejos e frustrações que nos preparava para a vida de gente grande. A gente aprendia que não adiantava quebrar tudo ou dar piti, algumas coisas na vida a gente simplesmente não tem.

Lembro também que a variedade era significativamente menor. Todo mundo tinha o cachorro xereta puxado pela cordinha, um palhaço cujo corpo era feito de peças de encaixar coloridas, pega varetas, Banco Imobiliário (com dinheiro de papel mesmo, nada de cartão de crédito), uns tijolinhos coloridos, boneca bebezão e só. Para incrementar, um elástico virava brinquedo embaixo do bloco, as meninas trocavam papéis de carta e os meninos figurinhas.

Hoje, as lojas são um espetáculo made in China. Eu fico boba de ver quanta coisa legal tem. Até um mesmo jogo, tipo o Banco Imobiliário, tem várias versões, de diferentes preços. Tudo parece bem mais acessível também. Se você quer dar uma lembrancinha de R$ 30 pode escolher entre mil opções. Para um adulto, mal consegue comprar uma garrafa de vinho com valor semelhante!! Mesmo o brinquedo mais caro, está ao alcance da maioria da classe média, em 12 vezes sem juros no cartão.

Voltando ao Téo, ele ainda não tem esses desejos. E no auge da inocência dele, percebo como somos nós que deturpamos a graça da brincadeira. Ele nunca me pediu aquele carrinho fantástico que pisca, anda sozinho e até fala. Eu dei porque quis. Mas não, ele gosta mesmo é de um carrinho de plástico bem baratinho que ganhou na pescaria da festa junina da igreja. Chama de “carro do peixe”.  Numa loja de brinquedos, com crédito alto graças às trocas de presentes repetidos de aniversário, ele só queria os carrinhos baratinhos do Hot Wheels...  

E apesar de ter tantas coisas divertidíssimas para brincar, hoje de manhã o flagrei se divertindo com uma caixa de cápsulas Nespresso vazia: era o metrô. Eu sou de um tempo em que brinquedos não eram tão fartos e baratos. Quando vejo a quantidade de coisas que o Téo acumulou em dois anos de vida, sendo que nem somos de dar presentes fora de datas como Natal e aniversário, penso que algo deve estar errado. Pois, afinal de contas, não tem nada tão divertido como brincar de faz-de-conta.

30 de abril de 2012

Um viajante pelo velho mundo

 






Téo, o viajante.
Foi mais fácil que eu pensava. Viajar com o menino por quase 15 dias pela França foi moleza perto do que eu imaginei. Estava preparada para ver o menino emagrecer rejeitando a culinária francesa, passar noites em claro sentindo falta do berço, mal-humorado estranhando tantas mudanças de ambiente e clima. Mas Téo adorou. Tudo.

Na segunda noite, já tinha entendido que o colchão no chão ao lado da cama dos pais era o cantinho dele e ia sozinho pra lá quando anunciávamos a hora de dormir. Nas primeiras noites, ensaiou voltar para a sala vendo que, sem as grades do berço, estava livre! Desistiu quando perdeu a graça e preferiu ficar dormindo mesmo. Na volta pra casa, berço de novo, sem problema. Só não entendeu por que a mamãe não podia ficar “aqui, mamãe”, quando ele apontava para dentro do berço, querendo que eu deitasse um pouquinho ao lado dele como fazia na viagem. Fofo!

Gostar de vestir casacos e gorros, ele não gostou. Mas rapidinho entendeu que aquilo era necessário! Hehe... Não estava tão frio, mas para quem não está acostumado, pegar 10°C, 12°C é bem geladinho, né...  Para facilitar, compramos uma meia-calça de carros para ele usar embaixo da calça e tudo de carros aqui em casa é sucesso garantido. E compramos uma capa de chuva para o carrinho de bebê que permitia passearmos tranquilos ao ar livre.


Chuva, muita chuva em Paris.

A comida é um capítulo à parte! O menino a-m-o-u tudo! Os pães fizeram o maior sucesso, ele passou dois dias comendo praticamente só isso. As papinhas à base de salmão, peixe, galinha d’angola e receitas típicas da região foram todas aprovadas. É engraçado como alimentação é algo muito cultural desde sempre. Aqui a gente não costuma dar pimentão para os bebês. Eu mesma acho muito forte. Mas ele curtiu muito uma papinha que era cheia de pimentão. Mais: Téo gostou até mesmo dos queijos de lá! Aqui eu só dou queijo minas ou prato. Ele ficou fã de queijo de cabra! Os iogurtes, então... Aff, ele tomava sozinho, com gosto, e pedia outro!



Qualquer mercadinho da esquina tem pelo menos tudo isso de papinha! Os supermercados têm uma estande enorme inteira com infinitas opções!


No quesito entretenimento, Téo também só tem elogios ao velho mundo. Em Toulouse, cidade em que passamos a maior parte do tempo, os parquinhos tinham sempre brinquedos para a faixa etária dele, tudo bem seguro e educativo. Ele voltou querendo subir escadas sozinho, e cheio de auto-confiança, porque sem a necessidade de uma mãe neurótica com medo por perto, ele se soltou bem mais. E tem áreas para as crianças nos restaurantes grandes, nos vários parques e praças. Nossa, um sonho! Em qualquer lugar também era possível encontrar um daqueles carrosséis bem fofos, que o menino curtiu muito mesmo. 

Que parquinho divertido, mamãe!




Encantado com o metrô.
Mas o que ele mais gostou, sem sombra de dúvidas, foi de voar de avião por tantas horas, ver um monte de carros na rua e andar de metrô. Sim, juro. Para ele, passar nove horas no avião foi a maior diversão. Até dormiu, quase a viagem toda! Aqui em Brasília ele vê o trânsito de dentro do carro. Então, poder caminhar pela rua vendo os carros passarem fez o maior sucesso. Mas o preferido foi o metrô. Ele saía da estação e já queria voltar. Era um dos poucos momentos em que ele chorava! Ficou espantando, com os olhões arregalados, achando tudo fantástico.

A minha percepção em relação à viagem foi de que existe muita estrutura, nas cidades que visitei pelo menos, para os próprios pais cuidarem dos filhos. Como não há babás para ajudar, são os pais que têm que se virar, né... Mas tudo bem: você tem, por exemplo, o parquinho bem cuidado em todo canto, todo tipo de acessório para facilitar o cuidado com as crianças e várias opções de papinhas prontas. Várias mesmo. Quatro ou cinco marcas diferentes, inclusive algumas orgânicas, e vinte, trinta receitas. E tem comida para criança de 15, 18, 24 meses! Tem até chocolate específico para criança pequena, com reduzido teor de açúcar! Tudo adaptado.

Bom, pra finalizar e pra que ninguém pense que tudo “são flores”, vamos às dificuldades. Na Europa, nem sempre tem fila preferencial para quem tem bebês. E aí você fica lá carregando sua “malinha sem alça” de 13 quilos e ninguém está nem aí. Os franceses, particularmente, não toleram muito bem o comportamento das crianças: eles os educam para se calarem em público e já li até que só saem de casa quando a criança já tem condição de se portar bem. Tenho certeza que os gritinhos do Téo, fossem de felicidade ou de birra, me renderam alguns vários olhares de recriminação, os quais preferi ignorar. O menu enfant da maioria dos restaurantes é algo tão saudável quanto nuggets com batata frita. Eu acabei preferindo as papinhas prontas mesmo ou então Téo garfava nossa comida. Ele preferiu comer Cassoulet a se entupir de nuggets! Vai entender...

Sobre viajar com um bebê de um ano e 10 meses, eu acho que pode ser algo muito difícil, dependendo da percepção. Eu achei tudo ótimo, mas porque estava preparada “psicologicamente” para estar em casa antes das 21h, pra carregar minha mochila com tudo que ele poderia precisar o tempo todo, para visitar apenas duas cidades em quinze dias, para fazer os programas num ritmo bem mais devagar, para encarar algumas birras nos locais mais impróprios, para trocar fraldas de coco no meio da rua, enfim, para enfrentar alguns perrengues. Mas tudo bem, porque ele estava lá e, mesmo que não vá se lembrar, nós jamais nos esqueceremos de como foi boa a companhia dele. J


Dia em Portugal esperando o voo...

8 de fevereiro de 2012

Téo, o tagarela

Desde que o menino fez uns nove meses que eu perguntava para a pediatra quando ele começaria a falar. Ela é do estilo tranquila, perfeita para mães de primeira viagem ansiosas, e me respondia que isso só lá para os dois anos. Fato é que, até o primeiro ano, Téo não falava quase nada. Às vezes, saía um “ús”, quando a luz acendia, tinha um “mamããã” e um “tatá” de vez em quando também. Teve uma vez que ele falou batata, bem bonitinho. Foi a primeira palavra certinha dele. E nesse ritmo devagar quase parando ele foi até os 18 meses.

Aí, não mais que de repente, a língua do pequeno cidadão desenrolou e ele virou um tagarela. Nos últimos dois meses a velocidade com que ele aprende palavras novas é impressionante! Acho que a cada dia ele incorpora umas três ou quatro palavras em média ao vocabulário dele.

Claro que não é aquela fala toda articulada, com todas as sílabas pronunciadas, né. É língua de criança ainda, mas inteligível a maior parte do tempo. É “uvo” para uva, “su” para suco, “pao”, sem til mesmo, para pão. E rolam até umas frasesinhas: “qué saí, mamã”!

Mas a desenvoltura dele cresce mesmo quando o assunto é carro. Ele adora uma garagem! “Carrro vá saí”, quando do carro está indo para o portão. “Saiú... Tchau, carrrrro! Chô”, sendo que o “chô” é para dizer que o portão fechou. E tudo se repete trocando o verbo sair pelo entrar, quando tem um carro chegando na garagem. E não pode ver uma roda e já grita apontando: “Rrrró”! Nunca vi gostar tanto de carro! Bom, na verdade, ele tem a quem puxar. Pai e avô materno são apaixonados...

Do dia para a noite também ele começou a reconhecer as letras e números. V é a letra de vovó e vovô, T é de Téo e por aí vai. O mais engraçado é o P de “tatai”!! Hoje, pela primeira vez saiu um “papai”, mas foi rápido e ele voltou à forma “tatai”. Os números são “um, dossss, trêiiis, for”!!! Isso mesmo: FOR! Ele aprendeu o quatro com o computador de bebê dele, que é bilíngue! Hilário...

Muda tudo tão rápido! Até a inflexão da voz, ele mudou. Antes falava tudo do mesmo jeito. Mamãe era “mamã” e pronto. Agora tem: “mamãããããã”, “mamã???”, “maaaamã!” e até um mamã bem baixinho que ele usa para me acordar, passando a mão no meu cabelo. Ai, que amor!!! J

Top 10 de palavras engraçadas do pequeno Téo

Aff – água

Dodôr – elevador

Dodôr- computador

Tarim – carinho

A – Alessandra, a babá dele

Sopovo – Socorro, a babá da amiguinha

Totrô – trator

Dedê – DVD

Detchê – leite

Totó – panetone

25 de janeiro de 2012

O dia que o pequeno só queria comer panetone


“Totóóóóó!!!!!!!!!”, é assim que Téo grita toda vez que está com fome. Desde que conheceu o panetone ele só quer saber de comer o tal “totó”. No começo, era só para experimentar. Num dia natalino de dezembro, ele apontou para o chocotone e nós demos um pedacinho para ele provar. Ficou nisso. Dali a alguns dias, ele apontou de novo para o dito cujo. Demos mais um pedacinho. Quando ele aprendeu a pedir gritando “totó”, resolvemos substituir o de chocolate pelo de frutas, tentando desencorajá-lo. Mas não adiantou, ele gosta é da massa e não do chocolate. Desde então, ele é viciado em panetone.

Claro que já tentamos dizer que acabou, mas ele chorou de um jeito tão sentido e magoado que os pais bobões foram ao mercado com ele comprar mais um. Tio Márcio teve pena e mandou mais um. Os avós também o presentearam com totós. Tio André morreu de rir quando o menino saiu correndo com um sorriso do tamanho do mundo em direção à caixa amarela de totó. Todo dia, depois do café da manhã, do almoço e da janta, lá vinha o bebê: “Totóóóóó”!!! Ele vai enfiando o máximo possível na boquinha, como se tivesse medo de a comida fugir. Quando a boca está cheia, empurra com a mãozinha para caber mais um pouco!

Eis que nesta semana o problema se agravou. O pequeno resolveu que só queria comer totó. Não abria mais a boca para nada. Só chorava e gritava. Bem que a pediatra avisou que o doce poderia ter esse efeito... Mas é tão difícil resistir àquela carinha feliz quando abocanha o totó com todo gosto do mundo! E olha que eu e Yuri somos bem rígidos na alimentação dele: tudo saudável, fresquinho, orgânico, sem açúcar. O panetone foi a exceção...

E, assim, tivemos que exercer nossa autoridade de pais. Ficou decidido que não tinha mais totó. Não adiantou chorar, gritar, bater a cabeça no chão. Sob fortes protestos das avós “dá só um pedacinho”, “só hoje deixa ele trocar o almoço por panetone”, Téo foi dormir com fome, já que totó não ia comer e para o resto ele fechou a boca. Doeu, claro. É ruim ver que ele está sofrendo. Mas não foi o fim do mundo. Educar é difícil sim, porque implica em dizer “não” e desagradar a pessoa que a gente mais ama no mundo. Mas, tendo em mente um bem maior (produzir um cidadão decente, consciente de que o mundo não gira em torno do próprio umbigo), fica mais fácil tomar as atitudes necessárias. Sem culpa.

Talvez Téo não entenda agora os motivos racionais da nossa atitude: ter uma alimentação saudável e aprender que não pode ter tudo que quer são valores que agora não dizem nada para ele. Mas que o bichinho entendeu que não adiantava fazer chantagem, isso ele entendeu! Agora, está ali na sala, atracado com um prato de couve, feijão de corda, arroz e frango. De sobremesa, uva. E já são doze horas sem mencionar o tal.

PS: Decidimos que, nos fins de semana, ele poderá comer um pedaço de totó, se almoçar direitinho. ;)

8 de agosto de 2011

Birra, birra e mais birra...

Téo é um anjinho, amor de criança, a mais calma de todas. Segundo me dizem as outras mães com quem eu convivo. Mas ainda assim é um bebê e volta e meia nos “surpreende” com uma daquelas birras horrendas que quando não temos filho nos fazem virar os olhos para os tais pais que não tem controle das crianças. Pois é! Não temos sempre o controle! É fato! Por mais que nos esforcemos para educar, ensinar o que não se pode fazer, tem hora que a criança parece que surta, literalmente.
As birras do Téo estão nesse estágio. Não é toda hora, é verdade. Mas já cabe em uma mão a quantidade de vezes em que ele ficou tão revoltado com uma vontade contrariada que simplesmente deu um piti daqueles de todo mundo olhar e pensar: “o que aconteceu com essa criança?!”
É engraçado pensar que aquele serzinho tão pequeno, que há pouco tempo saiu de dentro da sua barriga, pode ser tão cheio de vontades e desejos. Ele vê a gente tomando café da manhã e já vem apontando o dedinho. Aí a gente o senta na mesa. Ele indica o pão. Quando entregamos a fatia de pão integral, ele aponta o requeijão, cheio de atitude! Come seu sanduíche, e mal acaba já está com o dedinho firme em direção às frutas ou ao suco de laranja! Depende do que lhe apetecer mais naquele dia! Pensem num mini-adulto!
E é dessa pessoinha cheia de vontades que surgem as birras. Basta que o desejo não possa ser satisfeito. Já li e me informei sobre o que fazer. E eu realmente sigo o manual. Não dou bola, ignoro, nunca atendo. Mas parece que, por mais que eu “treine” meu ar blasé, ele não se rende! Como se levasse o “cabo de guerra” às últimas conseqüências!
Bom, não se pode ceder mesmo. E é preciso ignorar. Temos feito isso. Reconheço que é uma prova de fogo! Mas parece que surte efeito. Já tem uma semana que ele não dá nenhuma “alteração” significativa. Rsrsrs... O que não quer dizer que não fique bravo quando tem as vontades contrariadas, mas já dá para ver uma luz no fim do túnel, né...

9 de julho de 2011

Dormindo com os anjinhos

Escrevo direto do Rio de Janeiro! Estamos tirando uns dias de férias aqui para visitar minha irmã, Camila, e meu cunhado, Felipe. Confesso que estava com muito medo de como Téo se comportaria nessa sua primeira viagem de férias de "menino grande". Ele é não mais aquele bebezinho, né...

Os receios eram muitos: alimentação, bagunça no voo, sono (o apê deles fica perto de uma rua movimentada, faz muito barulho), banho, o frio... A alimentação já estava complicado desde dois dias antes de a gente sair de Brasília. De repente, do nada, o menino resolveu parar de comer a comida de sal! Não abre mais a boca. É um custo colocar cinco, seis colheres para dentro daquele serzinho! O normal do Téo era abrir um bocão, todo feliz na hora de comer. Agora, a "porta" fechou! Só quer fruta e leite! Afe... Felizmente descobrimos algo de sal que ele come: papinha Nestle! Na última viagem ele tinha enjoado, mas agora começou a gostar de novo... Vai entender...

No voo ele se comportou muito bem. Não chorou, não deu piti, não quis sair andando na hora do "apertar cintos"... Dormiu a maior parte do tempo no colo do pai. Um anjo! O frio daqui do Rio também não está sendo tão dramático para ele. Não deu nenhum espirro, não está com nariz escorrendo... saúde em ordem. Também não está estranhando tomar banho de ducha em vez de banheira. Não trouxemos a banheira inflável porque a gente acha mais prático dar no chuveiro. Mas na última viagem ele tinha estranhado e chorava muito no banho. Agora, o Yuri deixa ele entrar no box andando, sozinho, todo "adulto". Aí ele vai feliz e fica lá em pé, embaixo do chuveiro. Com a supervisão do pai, claro! Eu cuido da parte "logística" de tirá-lo rápido do chuveiro e colocar a roupa no menor tempo possível para que ele não sinta frio!

Mas a melhor surpresa é o sono! Ele tem dormido direto das oito da noite até às nove da manhã! Nove da manhã! É fantástico! E olha que aqui faz muito barulho! Tem uma rua importante na esquina do prédio, então a gente ouve freadas, buzinas, caminhões... Enfim, barulhos de cidade grande. Mesmo assim, Téo tem dormido muito bem. E nós estamos aproveitando também! Hehe... No mais, tudo bem. Estamos nos divertindo. Camila e Felipe são ótimos anfitriões e o Rio é ótimo, né...

25 de junho de 2011

Pronto! Meu filho é arteiro!

Eu sempre critiquei as crianças que colocam tudo de cabeça para baixo. Mas essa é mais uma opinião de quem não tem filhos ou eles já cresceram há muito tempo. Os bebês têm bracinhos de polvo, pezinhos de centopéia e mãos tão ágeis quanto de um mágico experiente.
Não que eu esteja aqui endossando o comportamento dos pais com preguiça de educar, que simplesmente ignoram as “artes” dos filhos ou dizem um “faz isso não, filho” e continuam sentados no sofá. Mas é que, mesmo sendo aquela mãe que fica grudada o tempo todo no filho, dizendo o que pode e o que não pode, eles arranjam um jeito de fazer bagunça. A gente segura de um lado e eles aprontam pelo outro.
É que não podemos simplesmente amarrar a criança. É preciso deixá-lo explorar o ambiente. O que não quer dizer quebrar os cristais da casa ou pular de sapato no sofá. Mas é preciso deixar que ele sinta as texturas, suba e desça um degrau (Téo ama! A-M-A!), pegue um objeto. E mesmo com todo cuidado dos pais, nessa tarefa diária de descobrir o mundo, o bebê acaba fazendo “arte”.
Nesse feriado, Téo conseguiu aprontar duas. Na casa dos meus pais, ele conseguiu “tapear” eu e minha mãe e quebrar uma lâmpada! Ele estava de mão dada com ela, enquanto eu falava no telefone, perto deles. Aí ele viu umas lâmpadas na beirada da mesa e não pensou duas vezes. Agarrou uma, eu peguei! Mas ele alcançou a outra e jogou no chão. Desastre total.
E não ficou nisso. Fui tomar um café com a Ju e o Zé. Estava eu me saindo bem na tarefa de comer, tomar o café, conversar , distrair Téo e controlar suas mãozinhas ligeiras. Até que, em um lapso de cinco segundos, ele conseguiu enfiar a mão dentro da xícara de capuccino da Ju e entornar toda a bebida no colo dela! Catástrofe. Fiquei morrendo de vergonha. Ainda bem que somos amigas de décadas e ela achou foi graça. Tive que emprestar meu casaco para ela amarrar na cintura e, assim, poder ir embora do local sem que ninguém achasse que a sujeira na calça era outra coisa além de capuccino!
Enfim, nós pais também vamos aprendendo. Eu já sei algumas coisas. Consigo, por exemplo, evitar que ele caia sempre. Aprendi que, se eu ficar na frente dele enquanto ele anda sem apoio, consigo evitar que caia de cara no chão, o pior tipo de queda porque tem dente, tem boca, aí sangra e etc. Já sei também que não se pode deixar nenhum talher ou louça num raio de um metro da criança. Ele aproveita aquele meio segundo em que você pisca para pegar uma faca ou jogar um prato no chão. Mas parece que nem tudo é possível controlar. Então, o jeito, é evitar as coisas mais perigosas... e embaraçosas! Xícaras de café devem ficar a dois metros da criança, no mínimo!!!

22 de junho de 2011

Aniversário e uma mãe enlouquecida

Gente, fazer festa caaaansa! Sabendo disso, resolvi que o primeiro aniversário do Téo seria um evento bem reduzido, só para os familiares mais próximos e amigos de longa data, com filhos de preferência. Ainda assim, com todas essas restrições, foram 60 convidados! Achei que por fazer algo menor, na casa dos meus pais, teria menos trabalho. Doce ilusão...
Acabei descobrindo que festa de criança é mais difícil que de adulto! Afinal, temos que pensar nos adultos E nas crianças. A dificuldade começou com o horário: teria que ser na hora do almoço, já que meu baby é do dia 12 de junho, dia dos namorados. Não queria que a festa dele atrapalhasse os planos dos casais apaixonados, né... Mas almoço para as crianças significa meio-dia! E, para os adultos sem filhos, churrasco é algo que vai começar lá pelas três. Só que festa de criança tem hora para acabar! A gente contrata os serviços por quatro horas e aí não adianta, a festa acaba mesmo...
O cardápio foi outra novela. Resolvi fazer churrasco, porque agrada em cheio aos adultos. Mas e os bebês?? Então rolou um espaguetinho a bolonhesa para eles. Sem conservantes, com molho de tomate natural, pouco sal e etc. Tudo para agradar ao paladar dos pequenos.
O mais engraçado foi que fui descobrindo na véspera que tem um milhão de coisinhas e detalhes envolvidos numa festa de bebê. Por exemplo, balões!!! Se não fosse a Adriella, minha prima, eu teria simplesmente pulado essa parte! Ela que me lembrou! Não menos importante são os brinquedos para divertir a garotada. Eu contratei uma brinquedoteca com piscina de bolinhas para atingir ao público-alvo de bebês em torno de um ano. Mas eles não curtiram muito não... Quem aproveitou mais foram os convidados de até cinco anos. Os meninos mais velhos ficaram jogando Wii. Mas no fim das contas, acho que todo mundo se distraiu...
A não ser o Téo, que mal curtiu os brinquedos!!! Aliás, ele não gostou muito da movimentação. Preferia ficar passeando pela sala da casa da minha mãe com a babá que ficar na confusão da festa. Acho que ele anda estranhando muito movimento e não está acostumado com outras crianças. Eu levava o menino até a churrasqueira e, quando o colocava no chão, lá ia ele caminhando bem rápido em direção à casa! Tsc tsc...
A mesa do bolo foi a coisa que mais gostei. O tema era ursinhos provençais e a mesa ficou muito cute. De novo, a Adriella me salvou: ela que fez os milhares de quilos de brigadeiro para abastecer tantos potinhos, copinhos, forminhas... Também comprei um cento de doces, para garantir que não sobrasse forminha vazia! E as cunhadinhas Maria e Rebecca fizeram sua deliciosa palha italiana para rechear a caixa da lembrancinha. Pobre do Yuri, que passou a semana inteira sonhando em comer o doce e não sobrou nenhum para ele! Hehe...
No final das contas, acho que para o Téo ficou tudo bem. Mas foi uma tremenda loucura para mim, Yuri e quem mais nos ajudou. São muitos detalhes! E convenhamos que a vida de pais com um filho de um ano, que trabalham e que acabaram de mudar para um novo apê, já não é das mais fáceis. A conclusão é de que valeu a pena marcar o primeiro aninho da vida dele com uma comemoração, mas que não pretendo repetir essa “empreitada”. A próxima festa será quando a situação financeira da família permitir bancar uma dessas comemorações em buffets infantis, ou então vamos cantar parabéns aqui em casa, com os avós. O importante é estarmos juntos, né... J

14 de junho de 2011

Carta ao aniversariante


Meu pequeno Téo,

Há um ano, no dia 12 de junho, você resolveu que era hora de conhecer o mundo. E, na verdade, quem conheceu o mundo fomos nós, seus pais. Você não sabia nem mamar ainda, mas éramos nós que sabíamos menos: não conhecíamos tanta felicidade e amor.
Nunca vou me esquecer da nossa primeira troca de olhares, filhinho. Você tinha um dos olhinhos meio fechado ainda e eu estava sem óculos. Mas nos enxergamos. E nos amamos. De lá para cá, você é tudo que eu vejo, ainda que você prefira ver o mundo.
Se um dia nós achamos que a vida era boa, ela ficou melhor ainda desde que você veio. Não tem noite sem dormir, passeios não feitos, viagens não viajadas que nos façam pensar que seria melhor estarmos sós. Nada, N-A-D-A pode ser comparado à alegria de sua existência entre nós.
Quando você vai dormir, repousamos no sofá, tentando nos recuperar da correria do dia. Mas dali a alguns minutos já estamos morrendo de saudades de você, loucos para que o outro dia chegue e você acorde.
Você, meu filho, não precisa fazer nada para que a gente te ame, mais que tudo na vida. Mas você “insiste” em ser a coisa mais linda, mais gostosa, mais engraçadinha do mundo, e aí fica muito difícil para seus pais não serem completamente apaixonados por você!
Esse seu primeiro ano foi o melhor de nossas vidas até agora. E, temos certeza, conviver com você será sempre o melhor da gente. Parabéns, Téozinho, que você seja sempre muito feliz.
Mamãe e papai

6 de junho de 2011

Tric-trics tecnológicos

Hoje em dia, mal a gente recebe o resultado positivo do exame de gravidez, alguém já nos passa uma infindável lista de coisas para comprar. Da gravidez ao nascimento, passando pelo parto, você tem que fazer vários enxovais com vinte mil coisas. Só depois percebe quanta tralha comprou e que não tem nem onde guardar tudo isso... Os itens vão de acessórios de “primeiríssima” utilidade, como um massageador vibratório com luz para berços portáteis, até coisas de algum interesse, como termômetros de banheira (úteis para pais de primeira viagem com medo de “tostar” o rebento com a água do banho, que periiiiigo, né!).

Na gravidez, investi “pesado” em roupas horrendas que acabei não usando. Comprei sutiãs especiais, calças com elástico na barriga, camisolas para levar para o hospital, óleos para evitar estrias... E não investi no mais importante: peças que sirvam para a amamentação. Logo que a gente sai do hospital só as roupas de grávida servem, e você não tem tempo de ir comprar roupas com botões. Ninguém me contou isso...
Em relação à amamentação, comprei uns sutiãs na Jogê que valeram a pena, porque eram bonitos e tinha preto, branco. Ninguém merece sutiã bege!!! Além de gorda e cheia de leite, a mãe ainda tem que usar lingerie cor de pele?? Não mesmo!!! As conchas de silicone foram úteis no começo, mas não precisava de tantos modelos... A almofada de amamentação se revelou super útil, porque no começo o bebê é leve, mas a gente fica muito tensa e as costas acabam doendo horrores. Bom, se você vai passar dez horas por dia amamentando, melhor ter um pouco de conforto, né... As bombas de tirar leite não cheguei a usar. Comprei uma bem simples, manual e não fui muito com a cara dela. Tirava o leite com a mão mesmo...
Para o Téo, o enxoval foi ainda mais longo. Para começar, o menino ganhou muitos presentes: roupinhas fofas, mantas, brinquedinhos, fraldas, itens de trocador... E para completar, a vovó Deborah foi aos USA comprar carrinho, bebê conforto, essas coisas que aqui são caras demais. E trouxe vinte mil peças de roupa para ele! Tinha 35 bodies brancos com manga, 29 brancos sem manga, 56 coloridos... Hehe...
Mas, um menino com essa quantidade de roupas no armário, não tinha quase nada tamanho recém-nascido, o RN! De tanto todo mundo dizer que perdia logo, que não usava muito tempo, que não valia a pena, eu acabei comprando apenas meia dúzia de bodies feinhos, todos azuis, mais uns dois ou três macacões que ele ganhou. Mais nada! E ele usou tamanho RN por um mês! Chegou uma hora que eu falei para minha mãe: “vá ao shopping e me traga roupas tamanho RN pro meu filho, pelo-amor-de-Deus!” Não agüentava mais ver o meu bebê com aqueles três macacões, já que os bodies ficavam por baixo...
Ele perdeu muitas roupas sem uso ou com pouquíssimo uso: não adianta comprar roupas de frio no tamanho que eles vão ter no verão. O bebê recém-nascido precisa ficar bem aquecido, mas logo essa fase passa. E aí eles sentem mais calor que a gente, por causa do super metabolismo. Aí não adianta nada aquele casaco de tricô para usar em janeiro! Perde mesmo...
Agora vou falar da coisa mais útil do enxoval do Téo e que, se alguém me contasse, eu não acreditaria que pudesse ser tão importante: a babá eletrônica com vídeo! Ela é mais cara que a que só tem som, mas é muito mais útil! Por quê? Porque a gente VÊ que a criança está bem, e isso, os pais e mães de primeira viagem vão me entender, é a coisa mais importante do mundo quando se tem um bebê recém-nascido. Deixa eu explicar para as grávidas e quem ainda não tem filho: você está deitada, quase dormindo (finalmente!), aí vem um barulho muito estranho do berço. A atitude instintiva é levantar correndo, quase rasgando os pontos da cesariana, para ver se o bebê está respirando!
Mas, se você tem uma telinha bem ali na sua mesinha de cabeceira, você abre um dos olhos, vê que seu bebê está ótimo e continua dormindo feliz e contente! Nos primeiros meses, os bebês fazem muitos barulhos esquisitíssimos! A maioria absolutamente normal, mas como você vai ter CERTEZA, se não conferir?? Hehe... Sem falar que, muitas vezes, o bebê acorda, mas dorme de novo sozinho. Aí você observa pela babá eletrônica e nem precisa entrar no quarto, incomodando o sono do pequeno...
Outra utilidade é quando você está numa festa, ou com visitas em casa. Se o bebê chorar no quarto, vai ser difícil ouvir. Mas com a babá você vê e fica tranqüila. Ah, e se não bastasse tudo isso, é muito bom ficar vendo ele todo lindo, dormindo! Só para constar: eu não estou ganhando nenhuma comissão do fabricante de babás eletrônicas com vídeo, ta? ;)


Quando ele descobriu a câmera da babá eletrônica dentro do berço...

CQC: Quando a falta de assunto vira desculpa para estupidez e preconceito

Faz um bom tempo que não assisto a esse programa. Quando foi lançado, até acompanhei, achei engraçadinho, mas depois me cansei do “estilo”. Como em tudo na vida, respeito quem gosta, quem faz, quem assiste... Mas achei o cúmulo o programa em que os apresentadores de tal atração resolveram, na falta de assunto, fazer piada com a amamentação.
Soube pela Maria Clara, que compartilhou o link no twitter. Fiquei chocada com tamanha falta de noção dos senhores Rafinha Bastos, Marcelo Tas e Marco Luque. Tas, que é mais experiente, parecia perceber o absurdo dos comentários do tipo: “Que a mãe vá amamentar no banheiro!”. Gente, nenhum ser humano merece fazer suas refeições no banheiro. Quem dirá um bebê!
Será que é tão difícil assim ter bom senso para perceber algo assim? Ou será que o CQC perdeu a criatividade e resolveu apelar para o humor fácil dos comentários preconceituosos e estúpidos? Porque o show de asneiras continuou em um ataque aos peitos “murchos e caídos das mães”. Aos “peitos que precisam de joelheiras em vez de sutiãs”.
Meus senhores, vocês não estão falando da última capa da Playboy, e sim de mães, mulheres que acabaram de dar à luz e estão ALIMENTANDO seus filhos! Amamentação nada mais é que isso: alimentar um bebê. Muitas mulheres têm, sim, vergonha de expor o seio, que culturalmente tem um forte apelo sexual. Mas, por uma necessidade natural, precisam tirar o peito para fora sim, em qualquer lugar sim, a qualquer hora sim, pelo simples motivo de que o bebê tem fome e precisa comer.
Falando bobagens deste tipo, esses senhores irresponsáveis incentivam o pudor, a vergonha de um ato natural, e o preconceito que muitas mães já têm em relação à amamentação. Estão dando mais motivos para que muita gente pare de amamentar, negando aos bebês, que nascem sem ter nada a ver com isso, o direito de tomarem o alimento mais completo e saudável possível!
Vamos fazer assim: se o senhor Rafinha Bastos tem tanto nojo de seios e bebês mamando, que  feche os olhos, saia do ambiente em que uma mulher “com peitos murchos e caídos” tenta alimentar seu filho. E satisfaça seu desejo doente de ver a Gisele Bündchen amamentando com revistas masculinas. Porque só uma mente muito perturbada pode associar amamentação com desejo sexual. Nunca em minha experiência de mãe amamentando percebi qualquer olhar masculino para meus seios, seja de desejo ou reprovação. Ainda bem, só convivo com gente saudável e civilizada.
E, não, meus seios não caíram. Ficaram lindos e maravilhosos durante a amamentação. Não adianta dizer que estou simplesmente “vestindo a carapuça” para os comentários preconceituosos. O senhor perdeu a chance de desqualificar minha crítica usando a piada pronta “deve ser uma mãe gorda de peitos caídos”...

29 de maio de 2011

Dica da semana: brechó de bebê

Acho que tem tudo a ver com essa onda de vida sustentável a gente reaproveitar o máximo de coisas possível, evitando o desperdício. A única coisa que eu sou contra é parar de usar fralda descartável, que é um dos maiores avanços tecnológicos da humanidade, em minha modesta opinião. Já falei que eu paro com tudo, sacolinha de plástico, copo descartável, embalagens não-retornáveis, mas fralda e absorvente vou continuar usando!
Bom, voltando ao assunto, eu acho a ideia de brechó para bebês bem legal, porque a maioria das coisas dos nossos filhos é usada pouquíssimas vezes! Eles crescem rápido demais até o primeiro ano de vida, não dá para “acabar”com as roupas, como acontece com “gente mais velha”...  E não adianta guardar, porque eles nunca mais terão aquele tamaninho RN! Téo tem algumas peças que nem chegaram a ser usadas: aquela blusa de frio com o tamanho que ele tinha no verão, sabe? Ou aquela bermudinha que não dava para usar no inverno e quando esquentou já não servia mais...
Já tinha ido a um brechó aqui em Brasília. Mas não tinha gostado, porque as roupas eram muito ruizinhas e os brinquedos imundos. Dava uma ideia de coisa abandonada, de lixo mesmo... Achei estranho, porque quando eu vou fazer uma doação de roupas ou brinquedos usados, eu sempre separo o que não dá para aproveitar. Coisa suja e estragada não dá, né... Ainda mais em uma loja!
Aí, nessa sexta-feira, eu conheci um outro brechó que é bem legal. É pequenininho e a própria dona atende. Tudo é limpo e com aparência de novo. Tem roupinhas lindas, a maioria de menina. Deixei umas roupitchas do Téo que não servem mais lá. Quem sabe “apuro” um dinheirinho e posso trazer para casa algumas “novas” para ele! Hehe...
Serviço
Era meu agora é seu
CLN 112, bloco C, loja 64 (no prédio da Saborela)

25 de maio de 2011

Nova casa, novos desafios

Depois de dez dias dormindo no berço portátil no mesmo quarto que a gente, na casa dos meus pais, é de se esperar que Téo tenha estranhado a casa nova. Mudamos nessa terça-feira, para nosso apê definitivo. O sono dele já não estava essas coisas, mas a primeira noite dele aqui foi pior ainda. Ele não queria ficar no berço normal, não queria ficar sozinho no quarto, custou a adormecer e acordou duas vezes no meio da madrugada.
Na consulta dessa quarta com a pediatra, relatei as dificuldades com o sono. Ela disse que nessa fase piora mesmo, porque ele resiste mais que nunca ao sono. Mas que eu não deveria ficar “desvirando” ele, quando não quer dormir. A doutora sugeriu que eu ficasse sentada no quarto, mas que esperasse Téo se deitar sozinho para dormir na hora que o sono apertasse.
Mãe esforçada para fazer tudo que é recomendado, lá fui eu. Entrei no quarto às 19h30, sentei no chão ao lado do berço e fiquei lá por uns 45 minutos. Fiquei calmamente assistindo a ele se virar, levantar, ficar em pé, gargalhar, cuspir a chupeta... Enquanto isso, cantava uma música de ninar. Aí, quando ele começava a chorar, eu o segurava pelas mãos e o ajudava a se deitar sozinho. Sempre sentada no chão, no escuro.
Ele levantou e deitou menos vezes que quando eu mesma o deitava “à força”. Não achei o processo tão difícil. Foi demorado, mas pelo menos ele chorou menos que das outras vezes. Depois que ele adormeceu, saí do quarto e não tive que voltar mais. Téozinho ficou dormindo profundamente. Só deu uma resmungadinha quando o pai entrou no quarto para ligar o aquecedor e eu abri um armário barulhento no quarto ao lado (imaginem que armário barulhento!).
Consulta com a pediatra
Téo está com 75 centímetros e 10,6 quilos. Um pouco acima da média, mas dentro dos padrões saudáveis. A principal novidade é que, a partir de agora, a alimentação dele será a mesma que a nossa. O que nos obrigará, mais que nunca, a comer saudável sempre. Mas a doutora disse que, no fim de semana, dá para fugir um pouquinho da “dieta” e ele pode experimentar coisas típicas da culinária engordativa do dia-a-dia, como um estrogonofe.
Doces continuam desaconselhados, porque podem atrapalhar a ingestão dos alimentos que importam. Para mim e Yuri, isso não é problema. A gente faz questão de não dar açúcar para ele, enquanto for possível controlar. Afinal, estímulos para comer chocolate não vão faltar, mas para aquele “suculento” brócolis...

20 de maio de 2011

Dica da semana: Papinhas caseiras congeladas

Gente, vou começar a postar algumas dicas de coisas legais que eu vejo para facilitar a nossa vida. A de hoje é, na verdade, uma que eu recebi da Ju, mãe da fofíssima Letícia. É uma nutricionista que prepara papinhas caseiras, com alimentos orgânicos, e vende congeladas. Assim, a gente pode, no fim de semana, dar uma comida mais parecida com a do dia a dia sem ter trabalho. Porque, convenhamos, papinha Nestlé quebra o maior galho, mas não parece a comidinha de casa que a gente prepara para os babies. E, vocês vão concordar comigo, ninguém merece ficar com a barriga no fogão o fim de semana inteiro cozinhando papinha! Ainda não tive tempo de testar, mas a Letícia testou e aprovou! Rsrsrsrs... #ficaadica!

O nome dela é Elaine e os contatos são: 3327 0073/ 9128 9959. Seguem as informações que ela passou:

"As papinhas são produzidas com alimentos orgânicos (carnes, frutas e legumes) e ingredientes de qualidade, proporcionando à criança alimentos naturais, livres de agrotóxicos, conservantes químicos, aromatizantes artificiais, entre outros. A forma de conservação é feita pelo congelamento, garantido as características do alimento como: sabor, coloração e propriedades nutritivas.
A papinha caseira garante todo esse processo para você. A segurança sanitária do alimento é obtida por meio de uma higienização correta dos alimentos, equipamentos, utensílios e do ambiente. O emprego adequado do tempo e da temperatura de cozimento e congelamento assegura a qualidade nutricional do produto final.
Pensando nisso, oferecemos a você o mais variado cardápio de acordo com a fase e necessidades nutricionais da criança."


1º fase de 4 á 6 meses
Salgadas (100 ml):
Batata com cenoura
Abobora com abobrinha
Mandioquinha com espinafre
Beterraba com chuchu
Batata doce com inhame
Obs: se o pediatra liberou carne na papinha poderá ser acrescentado o frango ou a rã (hipoalergênica)

2º fase de 6 meses á 8 meses
Salgadas (150 ml):
Inhame, abobora, couve-florc/ ( frango ou rã )
Batata, cenoura e beterraba
Mandioquinha, brócolis c/ (frango ou rã)
Carne, chuchu, batata e agrião
Carne com espinafre e batata doce
Gema do ovo, chuchu, abobora e batata

3 º fase: de 8 á 12 meses
Salgadas (150 ml):
Frango com arroz, alho poró e cenoura
Cabelo de anjo com feijão cenoura e chuchu
Cozido de carne com cenoura, espinafre e beterraba
Primeiro espaguete à bolonhesa (molho de tomates sem sementes)
Fígado com grão de bico, abobrinha e abobora
Mandioquinha com lentilha

Valores:
Salgadas :R$ 4,00
Salgadas com rã, cordeiro :R$ 6,00
Obs: será cobrada taxa de entrega de acordo com a localidade

Modo de preparo
Congelado no microondas: retirar a tampa e aquecer na própria embalagem por 2 minutos em média
Descongelado em refrigeração por 24 horas: retirar a tampa e aquecer na própria embalagem no microondas por 1 minuto em média ou em banho-mariaaté atingir 74∘c.
Antes de oferecer para a criança, misturar uniformemente o conteúdo.
Conservação e prazo devalidade
Conservar o produto congelado até o seu uso. Após aberto e descongelado, consumir em até 12 horas. Nenhum produto depois de descongelado poderá ser recongelado.
Prazo de validade:
Congelado: 6 meses ( 180 dias)
Resfriado em geladeira: até 24 horas
Nutricionista:Elaine Moreira
 CRN 1- 5228




19 de maio de 2011

A delícia e a dor de amamentar

Depois de um tempo a gente vê o passado com os óculos cor-de-rosa da nostalgia. Eu sempre falo bem da amamentação, o tanto é que gostoso esse momento com o bebê, o quanto é prático tirar o peito pra fora e saciar a criança, a delícia que é alimentar o próprio filho e etc. Mas quem lê pode pensar que foi sempre tudo perfeito para mim. Hoje, eu estava me lembrando, como se tivesse sido num tempo beeem distante, as dificuldades que tive.
No comecinho, o bico do peito racha e fica bem sensível. Para aliviar, eu tomava sol sem sutiã e usava aquelas conchas de silicone para o peito não tocar na blusa. Até o primeiro mês, os vazamentos eram constantes eu não podia dormir sem acordar encharcada. E tinha a dificuldade de encontrar a melhor posição para dar de mamar. Ato natural que nada! É uma posição muito pensada, caso contrário as costas doem miseravelmente.
Mas tudo isso é fichinha perto da complicação que era trabalhar e amamentar exclusivamente. Eu só fiquei sem trabalhar o primeiro mês da vida do Téo. Eu dava aulas numa faculdade em Taguatinga, bem longe da minha casa, antes de passar para o doutorado na UnB. Para poder dar prioridade à minha pesquisa, sem ficar fora da sala de aula, precisava trabalhar numa faculdade no Plano Piloto, com uma carga horária menor.
Eu consegui ser chamada em duas boas faculdades do Plano, mas justamente quando já estava grávida. Não preciso nem dizer que os departamentos de RH não quiseram contratar uma gestante, né... Mesmo os coordenadores de ambas não vendo problema nenhum, o setor responsável pelo pagamento nunca quer uma funcionária nesse “estado”, logicamente.
No final de julho do ano passado, fui chamada para dar uma disciplina que eu adoro, numa das melhores faculdades da cidade, e a mais próxima da minha casa! Perfeito, né?! Mais ou menos. Profissionalmente, era tudo que eu queria mesmo. Mas Téo não tinha nem um mês de vida e eu tinha acabado de descobrir o hemangioma dele.
Com ele tomando altas doses de corticóide, a vacinação teve que ser atrasada. Para meu filhinho, a amamentação passou a ser mais importante ainda: meu leite era a única defesa dele mesmo. Então, eu decidi partir para o desafio de amamentar exclusivamente, e dar aula na quinta à noite e na sexta de manhã.
Tirar o leite era a primeira parte da “novela”. Ele mamava praticamente de duas em duas horas durante o dia. Então, eu tinha que tirar o leite à noite, quando o intervalo era maior. Lavava braços, mãos, seios. Esterilizava o copinho, sentava numa mesa forrada com pano limpo, de touca no cabelo e uma fralda amarrada na frente da boca e do nariz. E passava uma hora tirando leite. Às vezes, terminava todo o processo depois de 1h da manhã! O horário de sono que eu tinha, eu passava tirando o leite para congelar.
Pensa que acabou aí a dificuldade? Nãnãninãnão! Aí eu o deixava na casa dos meus pais. A Camila esquentava o leite congelado em banho maria, meu pai segurava Téo no colo e ela ia dando de copinho! Eles terminavam encharcados com o leite, o meu leite! Rsrsrs... O bebê cuspia quase tudo, mas dava para matar a fome até eu chegar. Eu chegava lá pelas 23h e ia para casa com ele. Tinha que tirar o pequenino do berço da casa dos meus pais para levá-lo pra minha casa. Morria de dó.
Chegando lá, dava de mamar de novo, e lá pela 1h da manhã ia dormir. Às 3h, ele mamava de novo e às 6h eu acordava para me arrumar para a aula da manhã. Ele mamava de novo perto das 7h e lá ia eu. Na hora do intervalo da aula, Yuri levava Téo até a faculdade e eu ia escondidinha até o carro para dar de mamar. Não dava para ele dar o leite de copinho, porque a logística era complicada e exigia alguém para segurar o bebê.
Ficava com uma peninha do Téo, porque quando acabavam os 20 minutinhos do intervalo tinha que tirar ele do peito. Só dava para forrar a barriguinha... E os meus alunos sem saber de nada dessas minhas aventuras! Dava a hora do intervalo e eu saía “fugida” para que ninguém viesse falar comigo, diminuindo ainda mais o “lanche” do Téo. Na hora da saída, eu também torcia para ninguém querer esticar a aula, porque sabia que tinha um bebê chorão à minha espera. Isso era muito chato, porque eu gosto de dar aula, de conversar com os alunos depois da aula para tirar dúvidas e etc... Mas não dava! Téo não entendia isso.
Uns dois meses depois, adotamos a mamadeira. Era mais fácil. Ninguém ficava sujo de leite materno (ecati!), o leite rendia mais, porque Téo não babava ele todo, e Yuri podia dar o leite sozinho, sem ter que ir até o meu trabalho. Quando ficou assim, tudo parecia um mar de rosas!!! E melhorou ainda mais perto do sexto mês, porque ele aguentava esperar eu chegar da aula. Aí eu estava no paraíso!
Aos nove meses e meio, quando ele parou de mamar no peito, a coisa toda ficou inacreditavelmente fácil. Hoje, eu vou para a UnB ou dar aula sem me preocupar. No comecinho, eu saía de casa muito triste, chorava o caminho inteiro. Agora, eu saio para meus compromissos tranquila, feliz. É uma diferença e tanto! E acredita que eu ainda fico falando por aí que amamentar é uma coisa muito fácil?!? Rsrsrs...

18 de maio de 2011

Déjà Vu

Desde que viemos para a casa da minha mãe, enquanto esperamos nossa casa nova, parece que eu vivo em constante déjà vu. O cheiro do sabonete, o gosto apimentado da comida, os travesseiros... E não é porque tenho lembranças da época em que morei aqui antes de casar. Eu me lembro é desse mesmo período do ano passado, quando Téo nasceu e passamos 40 dias aqui. Tem quase um ano. Depois da primeira semana, eu estava fisicamente bem. Mas não queria sair do meu ninho enquanto não estivesse segura para poder criar o ninho do meu pequeno.
Na verdade, não consegui me sentir segura o suficiente para voltar para casa, mas voltei mesmo assim. É a vida, né... Não que meus pais me ajudassem demais da conta nos cuidados com o bebê recém-nascido. Éramos eu e Yuri que cuidávamos dele o tempo todo. A Camila ainda morava aqui e era quem mais ajudava, trocando fraldas, dando banho e cuidando dele. Mas o grosso, as madrugadas e tal, ficava comigo e o pai da criança mesmo. Nada mais justo, na verdade... Quem pariu Moises que balance!
Mas é que a casa dos meus pais funciona como um lar. Tem sempre movimento, gente entrando e saindo. Alguém que a gente pode “gritar” num momento de dificuldade. E alguém para fazer companhia nos momentos calmos. Aqui tem comida nos horários certos, a roupa tem dia para ser lavada e passada, a limpeza é feita religiosamente todos os dias.
Nada disso tinha na minha casa. Em quatro anos de casada, eu almoçava na casa da minha sogra e jantava qualquer coisa que desse na rua. Nunca tinha nada nos armários para ser cozinhado e a roupa não seguia rotina nenhuma. Você colocava um jeans para lavar e não sabia quanto tempo depois ele estaria no armário de novo. A limpeza era feita com regularidade, mas sem nenhum controle, já que eu nem mesmo encontrava a diarista. Ela ia quando eu não estava lá.
E tudo isso mudou drasticamente com a chegada do Téo. Eu “apanhei” nos primeiros meses, tentando entender como deve ser a dinâmica de uma casa. Na primeira semana em casa, eu ainda achei que ia dar para retomar a rotina de almoçar com a minha sogra. Era legal ter esse hábito e a comida lá é sempre ótima. Mas não deu. Depois de passarmos alguns dias sem almoço, eu e Yuri entendemos que Téo mandava no pedaço agora e que nada seria mais prático que comer em casa.
Aí eu parti para as compras de mês, arrastando um carrinho pesadíssimo, com uma lista na mão, conferindo preços. Uma típica dona de casa! Partir para o fogão já era outra história, porque não nasci com essas prendas culinárias meeesmo. Mas a Gilene, nossa talentosa cozinheira e arrumadeira, precisava de um “norte”, para não repetir peito de frango, arroz, feijão e salada todos os dias. E lá fui eu elaborar o cardápio mensal da casa, dizendo o que deveria ser feito no almoço e o que deveria ficar pronto para a janta. Foi tão difícil para mim! Até hoje o café da manhã lá em casa não está “bem resolvido”. Pode me dar uma revista científica de 500 páginas em francês para ler, mas não me peça para administrar um lar com facilidade!
Um lar. Agora é isso que eu, Yuri e Téo temos. Na nossa casinha tem compra de mês, horário de refeição, logística de lavar/passar, rotina de limpeza. E graças à ajuda de minha sogra, teremos também uma mesa na casa nova! Vamos sentar em volta dela no horário das refeições e sermos, os três, a melhor coisa do mundo: uma família.